Esperança de um novo mundo

Estamos passando, com esta pandemia, por uma experiência única, jamais vivida, nem imaginada. Esperamos que, de fato, ela seja realmente única e irrepetível, pois estamos muito fragilizados e saíremos dela todos profundamente marcados. Esta geração jamais esquecerá, nosso imaginário guardará esta lembrança para sempre.

Nosso desejo mais sincero e profundo é que dessa realidade possamos gerar uma nova sociedade, um novo mundo, bem diferente do que temos hoje. Queira Deus que não sejam apenas uns poucos que assim pensam, mas que haja uma mudança real e profunda na maioria das pessoas.

Creio que deverá nascer um mundo, uma sociedade nova que acorde, que entenda que não vale à pena correr como se tivéssemos que viver tudo no mesmo dia. Deverá surgir uma sociedade que realmente coloque a vida, as relações humanas, a convivência em primeiro lugar e não o poder desenfreado, o lucro a qualquer custo, o ganância, o egoísmo, o adquirir, o acumular como se nunca fôssemos morrer.

Claro, deverá surgir uma sociedade onde a solidariedade passe a ser uma cultura e não apenas ações emergenciais e esporádicas. É necessário que nasça um novo mundo onde possamos ver as pessoas com um olhar de irmãos, amigos e companheiros de caminhada, independentemente, de cor, ideologias, credos, cores e preferências.

Tenho esperança de que desta dolorosa experiência nasça um novo ser humano, mais sensível ao sofrimento, mais voltado para os outros, capaz de pensar neles com mais respeito, mais solidariedade e mais amor.

Desejo que neste novo mundo não se pense e nem se invistam milhões na construção de armas de guerra e artefatos bélicos, porém que sejam criados projetos em defesa da vida e da paz mundial.

Espero que surja um novo mundo que tenha apreendido a valorizar a presença das pessoas, tenha finalmente percebido o valor da presença humana – física; que tenhamos nos dado conta, sim, da importância do virtual, mas que ele não é insuficiente, pelo contrário até é frustrador, uma vez que nada substitui o sorriso, o aperto de mão, o beijo, o abraço e o aconchego do colo materno e paterno.

Meu mais profundo desejo é que desta cruel pandemia nasça, definitivamente, um novo mundo sem discrepâncias, sem privilégios de algumas classes, donas da verdade e intocáveis em seus desejos e vontades.

O mesmo espero no que se refere ao mundo político com um novo modelo de fazer política e de governar; uma nova forma de fazer justiça a partir da lei e da verdade e não dos interesses e da supremacia do ego dos governantes.

E por fim, desejo muito e oro para que ninguém queira viver no velho mundo do egoísmo, da desigualdade, da falta de fé, da desesperança, sem horizontes, sem a certeza do caminho, enfim, sem Deus.

Eu creio nesse novo mundo!

Pe. Xiko

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