Movimento de Cursilhos define-se por ser um movimento de Igreja. Portanto, um movimento de evangelização, isto é, um movimento de anúncio do Reino de Deus e de seus valores. Pergunta-se: de que maneira o Movimento faz isso?

De há muito, desde o início de sua prática, em 1949, e de sua definição, em 1968, a opção do MCC é pelo método querigmático-vivencial. Trata-se de um método de evangelização que dá prioridade menos ao ensinamento de uma doutrina e mais ao anúncio das verdades fundamentais da fé. Isso significa proclamar com a vida aquilo que se crê no coração. Esse anúncio, entretanto, não é feito em tom professoral, como quem ensina teoricamente ou como quem expõe suas opiniões de maneira fria e impessoal – assim fazem os professores e catedráticos. O anúncio que o Movimento de Cursilhos faz é uma proclamação vivencial de Jesus e do seu Evangelho: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).

Ora, para ter credibilidade suficiente para anunciar o Reino de Deus, é preciso estar vivendo os valores desse Reino; é preciso esforçar-se, a cada momento, a cada instante e em todos os lugares e situações, para encarná-los na própria vida. Os valores do Reino são, entre outros, a fraternidade, a justiça, o amor, a solidariedade, o perdão, etc. E devem ser anunciados do mesmo modo que o fazia Jesus de quem, quando falava ao seu povo e ensinava através de parábolas, o Evangelho dizia: “Ele ensina como quem tem autoridade” (Mt 7,29).

Vê-se, pois, que não é suficiente “dar testemunhos”, isto é, não basta “contar casos” ou desfiar tragédias pessoais ou acontecimentos da vida diante dos ouvintes, terminando por dizer que “depois que eu encontrei Cristo, tudo melhorou para mim”. De fato, Jesus enviou seus apóstolos não para “dar” testemunhos ou para “contar” testemunhos, e sim para ser testemunhas. O “dar testemunho” deveria ser, sempre, uma decorrência lógica do “ser testemunha”. E ser testemunha é o grande desafio dos cristãos de hoje que desejem ser seguidores do próprio Jesus.

Num mundo e numa cultura onde vale quase que exclusivamente a experiência pessoal, só se pode ser autêntica testemunha do Reino quando deste se faz a experiência cotidiana. É isso que Jesus quer de nós quando, ao enviar-nos como o fez com os apóstolos, para anunciar a libertação e a redenção de todo homem e de toda mulher, para anunciar a Boa Notícia em todas as partes da terra até o fim dos tempos, nos diz: “E sereis minhas testemunhas em Jerusalém e Samaria e até os confins do mundo” (At 1,8).

O anúncio só pode nascer da encarnação, na vida de cada cristão, dos ensinamentos do nosso Mestre e Senhor!

Pe. José Gilberto Beraldo, hoje Assessor Eclesiástico Nacional Vitalício Benemérito do GEN, vem atuando há mais de 40 anos no MCC. Foi, durante muitos anos, o Assessor Eclesiástico Nacional, e desempenhou essa mesma função durante o mandato do OMCC no Brasil. Há tempos escreve, mensalmente, uma Carta ao MCC do Brasil. Além de escrever para a revista Alavanca, tem dois livros publicados: CARTAS e DECÁLOGO DE UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO INCULTURADA.

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