Reflexões de Pe. Beraldo

Um é o que planta, outro o que rega, mas é sempre Deus que dá o crescimento

(crf. ICor 3,6)

Prosseguindo com nossas reflexões sobre a parábola do semeador (Lc 8, 5-8), depois de examinar a semente que ele pretende plantar, e de aprender sobre sua identidade, precisamos ver quais os tipos de terreno que receberão a semente…

Introdução. Prosseguindo com nossas reflexões sobre a parábola do semeador (Lc 8, 5-8), depois de examinar a semente que ele pretende plantar, e de aprender sobre sua identidade, precisamos ver quais os tipos de terreno que receberão a semente…

O terreno da semeadura. A semente (Palavra = Jesus) nasce no coração misericordioso do Pai e o terreno é o destino do plantio da semente. Jesus faz referência tanto à semente que é semeada, quanto ao tipo de terreno que a acolhe. Bem conheciam o terreno seus discípulos e as multidões que O procuravam. Nos dias de hoje, quem vive nas cidades ou zonas urbanas dificilmente pode imaginar como são os terrenos destinados ao plantio e suas diversidades. Dependendo do terreno, a semente germinará ou não; produzirá frutos ou não. Na parábola contada por Jesus podemos analisar o terreno sob dois aspectos. O primeiro no que se refere à pessoa e o outro no que se refere às circunstâncias em que vivem as pessoas.

Que tipo de terreno sou eu? Quem lê a parábola não consegue evitar uma referência a si mesmo: Afinal, que tipo de terreno sou eu? Não é uma tarefa fácil essa de conhecer-se a si mesmo, ou seja, de explorar o próprio terreno. Nossa natural inclinação é achar que somos sempre um terreno favorável à germinação da semente. Entretanto, somos invadidos com frequência por grandes quantidades de “elementos estranhos” que fazem de nós mesmos, enquanto terreno, com perdão da comparação, verdadeiros “lixões”! Meios de comunicação, como a internet, por exemplo, pródigos em informações desencontradas, fake news, mentiras, falsas interpretações fora de contextos, nos tornam confusos ou, pior, influenciados pelo “lixo” que é despejado no nosso terreno. Diante dessa enxurrada de “lixo” faz-se urgente uma completa limpeza do nosso terreno para que a semente o encontre preparado para produzir “cinquenta”, “sessenta” ou, o que seria o ideal, “cem” por cento dos frutos esperados pelo divino semeador!

Em que tipo de terreno eu, semeador como Jesus, estou lançando a semente do Reino? Para viver intensamente a missão que nos foi confiada é urgente conhecermos o terreno ou os terrenos em que pisamos e nos quais devemos lançar as sementes do Reino. Tantos são os terrenos quantos são os ambientes e, portanto, torna-se necessário conhecer melhor tais ambientes. A começar pela família, tão instável e superficial, hoje, tornando-se assim mais vítima do que construtora da “sociedade liquida” (como hoje é chamada por estudiosos como Zigmunt Bauman), que não sabe a que valores quer chegar…Terrenos que se estendem pelos ambientes profissional, social e, até, religioso. Ainda que não haja identificação ou visibilidade do semeador, neles somos chamados a ser fermento, sal e luz. Com o testemunho de vida e no silêncio de uma ação transformadora, vamos lavrando aqueles terrenos, a fim de que a semente neles lançada produza os frutos do Reino de Deus: solidariedade, justiça, perdão, compreensão, auxilio mútuo e tantos outros.

Questionando…

Ao separar alguns minutos de nossa vida tão agitada para nos questionar sobre que terreno somos, podemos nos deparar com perguntas bem incômodas…

a) Sou como um solícito lavrador, atento à preparação do terreno da minha vida, pela minha constante conversão, para receber a semente da Palavra de Deus?

b) Através do meu testemunho de solidariedade, de acolhida, de amor fraterno, de perdão, posso quantificar a produção de minha semeadura? Conheço suficientemente bem o terreno no qual pretendo lançar a semente do evangelho de Jesus?

Pe. José Gilberto Beraldo – jberaldo79@gmail.com

1 de dezembro de 2021 

1 de novembro de 2021

Prossigamos com nossas reflexões sobre a parábola do semeador (Lc 8, 5-8). Ele sai logo cedo, e vai espalhar a semente pelos campos. E está cheio da esperança de que, sendo a semente de ótima qualidade, e tendo sido seu campo adequadamente preparado, poderá esperar uma farta colheita. Sabemos, pois sobre a semente e sobre o campo, mas precisamos conhecer melhor a identidade daquele semeador.

1  de outubro de 2021

O semeador saiu a semear. Ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi pisada; e os pássaros do céu a comeram. Outra parte caiu sobre as pedras; brotou, mas secou, por falta de umidade. Outra parte caiu entre os espinhos e, crescendo ao mesmo tempo, os espinhos a sufocaram. Ainda outra parte caiu em terra boa; brotou e deu frutos, até cem por um”. Depois de dizer isso, ele exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Lc 8, 5-8)*

APRESENTAÇÃO

Queridos irmãos, queridas irmãs,


Ao escrever a Carta Mensal deste mês de setembro, expliquei a todos os queridos leitores e leitoras, que há tantos anos me acompanham e com os quais desenvolvi um relacionamento à distância verdadeiramente fraterno, que essa seria a última da série.

Não foram poucos os que, ao mesmo tempo que agradeciam o que consideravam um longo e perseverante trabalho de Evangelização, lamentavam minha decisão de interromper meus escritos mensais.

Na verdade, conforme busquei esclarecer, tratava-se de interromper a série das Cartas Mensais por razões várias. Não pensava, porém, em deixar de compartilhar com todos os que sentem, neste mundo tão complicado em que vivemos, a necessidade constante de refletir sobre a Palavra de Deus, norte que orienta, bálsamo que consola, luz que ilumina, fogo de entusiasmo que nos impulsiona a ir sempre adiante na interminável tarefa de contribuir para que o Plano de Deus sobre a humanidade e o mundo se torne realidade.

Assim, depois de invocar a assistência do Divino Espírito Santo, fui buscar nos santos Evangelhos uma inspiração para esta nova série. A parábola do semeador contada por Jesus e reproduzida pelo Evangelista Lucas, pareceu-me mais do que oportuna para anunciar o Reino de Deus nos tempos atuais.

Decidi, então, prosseguir nesse trabalho que sempre me motivou: semear com seriedade e amor, mesmo considerando que o terrenos onde caem as sementes nem sempre são receptivos, férteis, capazes de produzir frutos.

Começarei essa nova série com reflexões sobre essa significativa parábola, dividindo-as precisamente entre os vários tipos de terrenos… Continuarei, depois, com outras, pois um é o que planta, outro o que rega, mas é sempre Deus que dá o crescimento (cfr. ICor 3,6).

Esperando continuar a contar com a valiosa colaboração do interesse de meus leitores e leitoras, peço-lhe que aguardem, para muito breve, o início da nova série.

Pe. José Gilberto Beraldo
10 de setembro de 2021 

Profetas Rumo ao Jubileu
Onde Todos Somos Irmãos

ACESSE TAMBÉM AS CARTAS AO MCC:

Anos das Cartas ao MCC
Cartas ao MCC
Cursilhistas lendo as Cartas