1. Versão em Português

CARTA MCC BRASIL – AGOSTO 2021 – 264ª

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“Enquanto estavam comendo, Jesus tomou o pão,
pronunciou a bênção, partiu-o, e lhes deu, dizendo:
“Tomai, isto é o meu corpo”. Depois, pegou o cálice, deu
graças, passou-o a eles, e todos beberam. E disse-lhes:
“Este é o meu sangue da nova Aliança, que é derramado
por muitos” (Mc, 14, 22-24).

Queridos leitores, queridas leitoras: estejam com vocês a graça e paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, razão última de nosso já prolongado contato através destas Cartas Mensais.

Introdução. Começamos esta nossa Carta com a citação bíblica da instituição da sagrada Eucaristia, cuja celebração é assunto da recente publicação pelo competente Organismo da Santa Sé, a respeito do seu rito e do seu idioma. Esse documento, chamado “TRADITIONIS CUSTODES”, ou seja, “GUARDIÕES DA TRADIÇÃO”, vem acompanhado por uma carta pessoal do Papa Francisco, e tem suscitado dúvidas e discussões, quase sempre apaixonadas, amplamente difundidas, sobretudo pelos meios de comunicação social. Não sendo aqui o lugar apropriado para tecer comentários a respeito, sugere-se aos caros leitores e leitoras que procurem ater-se às orientações da respectiva Diocese. Para nós abre-se a oportunidade para refletir, ainda que brevemente, sobre a santa Missa e a sagrada Eucaristia.

Eucaristia, alimento e sinal de unidade do Povo de Deus. Os evangelhos são suficientemente claros a respeito da presença do Corpo e Sangue de Jesus sob as espécies do pão e do vinho. Já na Carta de junho passado, pudemos refletir sobre este tema essencial da nossa fé. Pode acontecer que muitos não tenham lido aquela reflexão, razão pela qual peço licença para repetir alguns de seus parágrafos.

Eucaristia, alimento. Na consagração acontece a “transubstanciação”. Que termo mais misterioso é esse Costumamos simplificá-lo traduzindo-o por transformação ou mudança. Desse modo, entretanto, não atingimos a sua mais profunda realidade. Pois não se trata de mera mudança ou transformação, mas de mudança de substância. Isto é, o trigo já não contém a substância de trigo, mas a de carne – a carne de Jesus. O vinho já não contém a substância da uva, mas a do sangue – o sangue de Jesus.

Eucaristia, sinal de unidade. Todos os que nos alimentamos do Corpo e do Sangue de Jesus, somos, com Ele, um forte sinal da unidade da Igreja, Povo de Deus. Ainda que sejamos muitos os que, com fé o recebemos, Jesus é o mesmo para todos. Infelizmente, as inegáveis separações, os cismas ou as divergências no seio da Igreja não manifestam estes sinais de unidade. Podem, portanto, ser motivos de escândalo e ser um contrassinal da unidade do Corpo e Sangue de Cristo.

Pode-se concluir, então, que a busca da unidade na Igreja tem o seu fundamento na sagrada Eucaristia. Convém lembrar que o grande sonho do nosso papa Francisco é exatamente este: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste”. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim” (Jo 17, 21-23).

Essa “unidade”, tão desejada por Jesus e pelos Pastores que em tantas ocasiões se debruçaram sobre o tema, transcende a “diversidade”. Assim, a celebração Eucarística terá, naturalmente, as “cores” de cada cultura, sem deixar de ser, em sua essência, a mesma e única celebração feita por Cristo em sua última  ceia com seus amigos. A diversidade, entretanto, não pode levar à negligência ou à falta de seriedade que, infelizmente, pode caracterizar a Santa Missa e a Comunhão…

Essa diversidade mal orientada não é estranha a nenhum de nós. Já não tivemos a experiência de estar tentando a necessária concentração durante a celebração enquanto alguns “fiéis” ao nosso lado, ou no banco de trás, estão conversando animadamente? Já não vimos, mais de uma vez, aqueles que, na fila da Comunhão, esquecendo as normais mais básicas – receber a comunhão sobre a mão esquerda e, com a direita, levá-la à boca, diante do sacerdote ou do ministro da Eucaristia – e levando a sagrada partícula consigo para o “banco”, ou quem sabe com a intenção de levá-la para casa? Já não participamos de celebrações nas quais ao invés de cantos litúrgicos, cantados apropriadamente, para aprofundar a experiência do encontro com Cristo, o que ocorre é uma “cantoria” muito ruidosa e animada que impede qualquer reflexão?

Sugestões para reflexão pessoal ou em grupo. Você já se perguntou qual seria a causa desses comportamentos? Faltaria a necessária “catequese litúrgica” aos fiéis? Seria pura falta de interesse por parte dos que, sendo capazes de dar muita importância a determinados aspectos da vida, não fazem o mesmo em relação à sua fé e sua prática religiosa? Não deveriam, aqueles que já deixaram para trás a “religião da primeira comunhão” – porque integram o Movimento de Cursilhos ou algum outro movimento eclesial – ser os primeiros a buscar ajudar, através de seu exemplo, àqueles que ainda necessitam aprender?

Que a resposta a essas reflexões possa revelar que, católicos responsáveis, estaremos sempre empenhados em tornar realidade o sonho do Mestre que, além de testemunhar o amor do Criador por suas criaturas, deu a própria vida para que, n’Ele, todos pudéssemos ser um.

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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