1. Versão em Português

CARTA MCC BRASIL – JULHO 2021 – 263ª

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“Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘A
paz esteja convosco’. Depois disse a Tomé: ‘Põe o teu dedo aqui e olha as
minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas
incrédulo, mas fiel’. Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’”
(Jo 20, 26b-28).

Irmãos e irmãs, leitores e leitoras destas Cartas Mensais que nos unem em nossos esforços para seguir o Mestre: esteja com cada um e cada uma de vocês, aquela mesma Paz que Jesus ofereceu aos seus discípulos, depois da sua Ressurreição, e que continua oferecer aos que escolhe para trabalhar pelo Reino.

Introdução. Este mês é muito rico em celebrações e comemorações litúrgicas. Entretanto, pareceu-me oportuno propor uma breve reflexão sobre aquele apóstolo que, antes incrédulo, depois de apalpar as chagas de Jesus, o reconhece como Deus e Senhor. Porque Tomé é um exemplo sempre atual de manifestação da fé na pessoa de Jesus, homem-Deus. A circunstância em que se dá o encontro do Ressuscitado com Tomé, nos leva a refletir sobre três momentos: o dom da paz, a humildade do Mestre que vai ao encontro da incredulidade do discípulo, e a profissão de fé.

1. Jesus entra onde estavam os discípulos com “as portas fechadas”. É missão de todos os cristãos, consagrados e consagradas, leigos e leigas e, sobretudo, dos ordenados para a missão, abrir as portas tanto para deixar Jesus entrar, como para sair anunciando a Boa Notícia com palavras e testemunho de vida. É urgente, primeiro, ouvir a palavra de Jesus: “A paz esteja convosco”. Se o coração não estiver em paz, se se encontrar agitado por muitas preocupações, ou repleto de vaidades, de orgulho ou de amor-próprio e de desejos alheios ao Reino de Deus, não conseguirá ouvir a saudação de Jesus. Uma “Igreja em saída” só será possível quando os seguidores de Jesus, de coração aberto e em paz, saírem para anunciar. Anunciar o Reino da justiça, da paz, do perdão, da solidariedade. Não como uma Igreja para dentro, mas como uma Igreja para fora. Pois é lá fora que estão as ovelhas desgarradas, que está uma sociedade cada vez mais distante de Deus, uma sociedade líquida, cujos valores estão relativizados, uma sociedade na qual cada indivíduo é dono da sua verdade. Pois esses valores ou antivalores e essas “verdades” condicionam uma mentalidade. E, consequentemente, determinam um agir.

2. Jesus convida Tomé: “Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê”. O convite de Jesus é extensivo a toda a comunidade eclesial. Porque além de uma Igreja ad intra, há uma
Igreja ad extra, isto é, presente em todas as realidades do mundo. Onde estão, hoje, as chagas de Jesus? Nos abandonados, nos infelizes, nos pobres, nos rejeitados… Qual o significado, hoje, de “estende a tua mão”? Não seria, precisamente, ir ao encontro dos que esperam a Boa |Nova, lá nas periferias existenciais dos lugares onde vivemos? E a ordem de Jesus: “não sejas incrédulo, mas crê”… não seria uma forma de nos chamar a atenção para aquilo que está no centro da mensagem evangélica: a FÉ na pessoa de Jesus?

3. Uma caminhada para a fé. Ainda que a fé seja um dom, um presente de Deus recebido no batismo, é preciso consciência e determinação em amadurecê-la com o correr do tempo de vida de cada um. Mas, sobretudo, diante das novas circunstâncias ou acontecimentos. De maneira especial, é urgente o amadurecimento da fé na transição do tempo presente: de uma cultura antiga para outro modo de ser e de viver. Num primeiro momento, Tomé não acreditou nos companheiros. Foi preciso uma outra manifestação de Jesus para ele pudesse, finalmente, exclamar “Meu Senhor e meu Deus”! Esse discípulo vai nos ensinar – a nós que jamais vimos o rosto de Jesus, nem ouvimos suas palavras, nem sentimos seus abraços – o percurso que devemos fazer para chegar à fé em Cristo Ressuscitado. Mesmo com dúvidas ou interrogações, é preciso saber que elas fazem parte do amadurecimento na fé.

Conclusão. Além de viver na presença de Jesus, seu seguidor viverá a presença d’Ele em todos os momentos de sua vida. Os discípulos se transformam quando veem Jesus ressuscitado no meio deles. Alegram-se com a saudação de Jesus, recuperando a paz e libertando-se do medo que existia no meio deles. Será que a presença de Jesus na Igreja, no meio de nós, não tem sido muito mais uma doutrina pregada do que uma experiência diariamente vivida? A partir da doutrina que nos é ensinada, algumas interrogações simples nos ajudariam a viver essa experiência no nosso dia a dia: O que Jesus faria diante desta situação ou diante destes acontecimentos? O que Jesus diria a esta pessoa que está falando comigo? Nossa vida diária está cheia de momentos em que podemos recordar os critérios de Jesus e o seu Espírito. Momentos de renovar nossa alegria e abrir as portas do coração, recordando a sua presença viva. Jesus ressuscitado está presente no meio de nós, transmitindo-nos mais força e mais alegria. Tomé não aceitava o testemunho de seus companheiros. Somente ao ver Jesus presente recuperou a paz, a alegria e explodiu numa exclamação comovente: “Meu Senhor e meu Deus”!

Sugestões para reflexão pessoal ou em grupo: a) O que significa para a Igreja, hoje, estar de “portas fechadas”? Seria o apego ao tradicionalismo? Seria o medo do novo, a tendência de continuar a fazer o que sempre se fez? Seriam as falsas seguranças? Seria a falta de consciência de uma verdadeira pertença, ao invés da simples frequência? b) E o amadurecimento na fé? Você já chegou ao ponto de crer em ALGUÉM e não em ALGO? Ou você continua confundindo FÉ com CONFIANÇA, como quem espera que algo aconteça ao invés de viver conforme nos pede Jesus?

Sempre unido a cada um e cada uma, através da minha oração e de minha vida sacerdotal, despeço-me com um abraço fraterno.

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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