1. Versão em Português

CARTA MCC BRASIL – FEVEREIRO 2021 – 258ª

“Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não
receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: ‘No momento
favorável, eu te ouvi e no dia da salvação, eu te socorri’. É agora
o momento favorável , é agora o dia da salvação” (2Cor 6, 6,1-2).

Caríssimos irmãos e irmãs: que a graça e a força do Espírito de Deus nos fortaleçam na peregrinação rumo à casa do Pai misericordioso!

Introdução. A Quaresma, no ano litúrgico, inicia-se pela imposição das Cinzas na quarta-feira, mas também inicia um tempo favorável, propício, no seguimento de Jesus; o tempo de vivência do tripé: a esmola, o jejum e a oração. Desde o ano passado a humanidade está sendo provada pela terrível pandemia da COVID-19. Todos os aspectos da vida diária tiveram que ser alterados na vida familiar, social, profissional e, até, religiosa. O “fique em casa” ressoou e continua ressoando em nossa mente e na prática dos nossos hábitos e costumes. Pois bem, como viver esta Quaresma em tais circunstâncias? Mais do que em outras quaresmas, é preciso termos presente a orientação de Jesus no Evangelho de Mateus, ou seja, o tripé acima mencionado.

1. A esmola. Além dos gestos de compaixão para com os sofredores, marginalizados ou abandonados pela sociedade egoísta, a esmola, nos desafiadores tempos atuais, adquire uma dimensão especial. É a dimensão da solidariedade. O papa Francisco não se cansa de chamar a atenção do povo de Deus sobre essa importante virtude nos dias de hoje. Felizmente, olhando ao nosso redor, até nos emocionam tantos gestos de amor e de partilha, manifestados através da ajuda e da sensibilidade diante do sofrimento. Exemplos de solidariedade, frequentemente beirando ao heroísmo, encontramos, por exemplo, nos profissionais da saúde, através da assistência diuturna aos enfermos atingidos pelo nefasto vírus. São eles, quase sempre, as únicas testemunhas do sofrimento tanto dos doentes como dos seus familiares impedidos de estar ao lado dos seus entes queridos na hora suprema de sua morte. Não só. Mas até longe de poder dar-lhes o último adeus no momento do seu sepultamento. Pois bem: cabe a cada um de nós, nesta Quaresma, buscando a prática da esmola, perceber as situações nas quais se exige a nossa solidariedade, a partilha do nosso amor fraterno. Talvez possamos, até, testemunhar pessoalmente e com emoção, como algumas pessoas anônimas se aproximam perguntando: “vou sair agora, precisa de alguma coisa”?

2. O jejum. Devido ao necessário isolamento, nem sempre se consegue, nestes tempos, praticar o jejum e a abstinência de alimentos. Assim, a geladeira pode tornar-se a meta de frequentes corridas. Afinal, é preciso preencher o tempo da ociosidade com as tentações da comida e, infelizmente, do excesso de bebida. Basta acompanhar algumas notícias para tomar conhecimento de quanto aumentou, no decorrer deste ano, o consumo de bebidas alcoólicas. Ou, então, gastar horas e horas com a televisão ou com o celular. Chega-se, até, em alguns casos, ao exagero de comunicar-se com pessoas presentes no mesmo ambiente pelo celular… Como, então, falar de jejum nesse clima e, sobretudo, como praticá-lo? Como uma das possíveis sugestões, volto ao que eu já escrevia na Carta de Março do ano passado: “Para uma melhor compreensão do jejum que agrada ao Senhor, leia-se, por exemplo, todo o Capítulo 58 do profeta Isaías. E por que não praticar como jejum o “desconectar-se” um pouco do celular, de um mundo virtual e sem sentido, das novelas muitas vezes atentatórias à moral e à ética, dos filmes indignos de um comportamento sadio, para não dizer ridicularizadores da fé e da religião? Penso, ainda, numa outra prática do jejum que é evitar o triste desperdício de alimentos com todas as suas consequências”. Leve-se em conta que o Brasil é um dos países do mundo onde mais se desperdiçam alimentos…

3. A oração. Nem sempre, na correria da vida normal, encontra-se o tempo para destinar à oração. Mil são as desculpas: “não tenho tempo”, “chego muito cansado”, “com tanto barulho não consigo me concentrar”, etc. Pois, superando agora as desculpas devido ao longo tempo de permanência ociosa, podese dedicar parte considerável do dia, à oração. Não só de falar com Deus. Mas, sobretudo, de escutar a Deus. “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”. Numerosos são os momentos já no Antigo Testamento, nos quais Deus se dirige a seus servos. No silêncio da solidão. Ou na tranquilidade da brisa suave. Por que, então, não aproveitar este tempo, para a prática da leitura orante da bíblia? Procure, então, interessar-se por este caminho da oração no qual Deus nos fala e nós falamos a Deus com as próprias palavras d’Ele.

Sugestão para reflexão individual e/ou em grupo: Procuremos refletir – à luz dos acontecimentos em que estamos agora imersos – sobre o tripé jejum-esmola-oração… Seremos capazes de, diariamente, pedir a inspiração do Senhor para “jejuar” pelo menos em dois aspectos: abrindo mão da aquisição algumas guloseimas e transformando-as em alimento para os necessitados; abrindo mão do uso da tecnologia que temos à disposição para nos dedicar ao transcendental? Seremos capazes de, diariamente, refletir sobre a “esmola” como partilha do que temos e somos, esforçando-nos para aproximarmo-nos – virtualmente, claro – daqueles aos quais há muito não vemos, nem ouvimos, oferecendo-lhes a preciosa atenção da qual talvez estejam tão necessitados? Seremos capazes de, diariamente, “separar” um pouco do nosso precioso tempo, recolhermo-nos ao silêncio para ouvir o que o Senhor quer-nos falar?

Desejando que esse tempo de penitência e conversão com que a Igreja nos brinda na Quaresma seja terreno fértil para a nossa santificação nos tempos que correm, permaneço unido a todos nessa caminhada que nos prepara para as alegrias da Ressurreição.

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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