1. Versão em Português

CARTA MCC BRASIL – OUTUBRO 2020 – 254ª

“Jesus se aproximou deles e disse:
“Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.
Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações,
e batizai-os em nome do Pai, do Filho do Espírito Santo.
Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ensinado.
Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”.” (Mt 28, 18-20).

A vocês, amados irmãos e irmãs, peregrinos todos na missão do anúncio do Reino de Deus nesses tempos de tantos desafios e dificuldades, desejo a mesma paz que aos seus desejava o Senhor!

Introdução. Este é o mês das Missões. Durante muito tempo, antes do Concílio Vaticano II, era muito restrito o conceito que se tinha sobre “missões”. Nada mais ou pouco mais do que sair de sua pátria, de sua família, para ir catequizar os pagãos, os índios, etc. Esse era o missionário. Era dessa forma que, normalmente, se entendia a Missão. Nesse mês, às crianças do catecismo, como eu mesmo, era entregue um cartão para sair angariando contribuições para as missões. Era o tempo da “cristandade”, tempo de conquista de pessoas para a Igreja, tempo de uma Igreja fechada em si mesma, dominadora, clericalista. Com efeito, não era muito clara a fronteira entre “Catequese” e “Evangelização”. Certo autor diz que “catequese é educação da fé, enquanto evangelização ou missão como a entendemos hoje, é a Igreja em saída”, expressão essa com que o Papa Francisco convoca toda a Igreja para sair do conforto e ir para as periferias existenciais e geográficas.

Além dos documentos e das novas orientações pastorais do Concílio Vaticano II, têm surgido na Igreja importantes documentos e orientações do Magistério eclesiástico para uma Igreja missionária nestes nossos tempos de mudanças radicais da cultura e da sociedade. Citemos apenas os mais recentes:

1. Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” – Sobre a Evangelização no Mundo Contemporâneo – do Papa Paulo VI. Por meio dela somos ensinados a alargar os horizontes missionários e a articular os vários e diversos caminhos da Evangelização através: a) do testemunho de vida; b) da pregação viva; c) da liturgia da Palavra; d) da Catequese; e) dos meios de comunicação; f) do contato pessoal; g) dos sacramentos; h) da religiosidade popular (EN nº 41-48). Cada um e cada uma dos seguidores (as) de Jesus, consagrados e consagradas, leigos e leigas deveríamos, sobretudo neste mês, buscar o caminho mais adequado para assumir nossa vocação missionária.

2. Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” – Sobre o Anúncio do Evangelho no Mundo Atual” – do Papa Francisco. Costuma-se dizer que esse documento, datado de 24 de novembro de 2013, é como que o programa do seu pontificado recém-iniciado. De fato, se acompanharmos as palavras e o comportamento do Papa nesses anos, poderemos concluir que ele não dá prioridade à reafirmação de um corpo de doutrinas e, sim, na prática do seguimento de Jesus proposto nos Evangelhos. Um seguimento alegre e entusiasmado. O tema dominante na introdução da EG é a alegria (nº 1-18). Pois é para esse seguimento que todos os cristãos somos chamados e urgidos a peregrinar pelos caminhos da missão para a qual somos enviados. Por isso, logo no primeiro capítulo, convoca-se toda a Igreja para a missão: “A transformação missionária da Igreja”.

3. Exortação Apostólica pós-Sinodal “Querida Amazônia”. Sendo um documento conclusivo do Sínodo, seu conteúdo não seria diretamente missionário, mas sua repercussão ultrapassa os limites da Amazônia. Os novos caminhos indicados para o anúncio do Evangelho naquelas terras especiais podem ser assumidos por toda a Igreja como um farol que ilumina a ação evangelizadora de todo o povo de Deus Concluindo, lembro que o mesmo espírito do “mês das Missões” continua presente na Igreja que está propondo, para as intenções do mês de outubro, precisamente a Evangelização, a missão dos leigos na Igreja: “Rezemos para que, em virtude do batismo, os fiéis leigos, em especial as mulheres, participem mais nas instâncias de responsabilidade da Igreja”. Além disso, acrescento que devemos rezar pedindo a intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, que, sem sair dos limites do claustro do seu convento, foi declarada Padroeira das Missões.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou de grupo: Temos refletido suficientemente sobre nossa responsabilidade missionária? Temos buscado identificar em nossas atitudes diárias quais são as que nos revelam ao mundo como discípulos missionários em nossos ambientes? Com certeza nos ajudará nas respostas a essas perguntas, as encorajadoras palavras do papa Francisco: “Entra-se na Igreja pelo batismo, não pela ordenação sacerdotal ou episcopal, entra-se pelo batismo! E todos nós entramos pela mesma porta. É o batismo que faz de cada fiel leigo um discípulo missionário do Senhor, sal da terra, luz do mundo, fermento que transforma a realidade por dentro”.

Desejando que estejamos sempre mais convencidos de que o Senhor nos envia permanentemente “até os confins da terra”, despeço-me com meu abraço fraterno e o compromisso de minhas orações para que estejamos todos unidos na missão.

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

Siga-nos: