1. Versão em Português

CARTA MCC BRASIL – JUL 2020 – 251ª

“Pois propriedade do Senhor é o seu povo,
Jacó a parte que lhe cabe.
Em terra deserta o encontrou, na vastidão do deserto.
Cercou-o de cuidados e o ensinou,
guardou-o como a menina dos olhos” (Dt 32, 9-11).

Caros leitores, caras leitoras, irmãos de caminhada nesta terra, às vezes árida, mas sempre abençoada pelo Criador, estejam com vocês a paz e a confiança no amor perene do Pai!

Partilhando…

Ao completar a 250ª Carta, em junho passado, pensei em, com ela, encerrar estas minhas reflexões mensais sobre a Palavra de Deus, oferecidas, sobretudo, aos participantes do MCC do Brasil. De fato – pensei – hoje a comunicação encontra meios talvez mais adequados para transmitir a mensagem do Evangelho e as pessoas preferem as que se apresentam condensadas em poucas palavras. Ou, então, em shows de padres midiáticos normalmente proclamados ídolos e que podem levar facilmente à emoção e, até, às lágrimas, mas que, normalmente, não deixam rastros de compromisso com a Palavra de Deus. É fácil fazer essa constatação ao observar que tenho muito pouco ou quase nenhum retorno a estas Cartas mensais. Seria desinteresse das pessoas tão ocupadas com as coisas do mundo? Seria apenas dificuldade de encontrar tempo para uma leitura pausada, que exige concentração e reflexão? Seria saturação causada pela linha questionadora das abordagens? Ou seria a avalanche de informações e noticias nas quais as pessoas mergulham sem discernir o que é verdadeiro ou o que é falso (fake news!)? Ou estariam elas, ao contrário, ultrapassadas, num tempo em que a “sociedade líquida” pede novidades ininterruptamente?

Ocorreu-me, então, que há varias maneiras de semear… De fato, há os agricultores que ainda abrem os sulcos na terra e, com as mãos, vão “sepultando” as sementes no solo arado. Outros, os mais evoluídos, os do agronegócio, utilizam-se de aviões apropriados que voam sobre o campo arado e vão rapidamente espalhando a semente. Resolvi, então, continuar semeando manualmente e, portanto, com mais carinho e mais detidamente, a semente da Palavra.

Lembro, por ser oportuno, que a iniciativa de redigir as Cartas mensais, ainda como Assessor Nacional do MCC, foi estritamente pessoal e, portanto, sem qualquer vínculo institucional com o MCC. Isso significa que não tenho, pois, necessidade de recorrer à direção do MCC no Brasil para tomar decisões a esse respeito. Porém, como Assessor Nacional Benemérito, continuarei a partilhar essas reflexões aos integrantes do MCC enquanto o Pai me der forças,

O isolamento da quarenta pelo cod19 e o salmista. Percorrendo a internet, vejo inúmeras iniciativas visando superar a solidão e preencher o vazio do tempo. No contexto de cada situação pessoal, cada um acaba escolhendo a que melhor lhe convém. Minha opção, eu a encontrei inspirado pelo salmo que citei acima “Em terra deserta (quarentena) o encontrou (a cada um dos que estão isolados em casa), na vastidão do deserto…”. É mais do que conhecida aquela figura de Jesus, o Bom Pastor, batendo à porta, desejando entrar, desejando encontrar-se com a ovelha. Infelizmente, muitos se recusam a abrir a porta. Seja porque vivem ausentes, longe de Deus; seja porque saíram, renunciando à sua fé; seja porque querem permanecer escondidos, com vergonha de testemunhar na vida os valores do Reino; seja porque estão dormindo sem coragem de despertar para o encontro com Jesus no qual só vislumbram severidade ou condenação e não misericórdia e carinho.

Deixar-se encontrar. É preciso, entretanto, deixar-se encontrar, pois, diz o salmista, que Ele vai “cercarnos de cuidados e ensinar guardando-nos como a pupila dos olhos”! É quase impossível pensar que um ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, não quer ser “cercado de cuidados”, nem ser “guardado como a pupila dos olhos” por parte do Criador… Algumas atitudes facilitam esse encontro:

a) Não se esconder de Jesus, ignorando seus apelos cotidianos, que nos chegam através dos acontecimentos, principalmente daqueles que nos magoam ou nos desagradam.

b) Não ter vergonha de ser amigo de Jesus, como se isso fosse fora de moda, como se Jesus não pudesse ser o melhor amigo de qualquer ser humano que vive em nossos tempos.

c) Não fingir que está dormindo e que não escuta Jesus batendo à sua porta, como se, ao ignorá-lo, a criatura predileta de Deus se tornasse “livre” de qualquer obrigação.

d) Ao ouvir a chamada de Jesus, não sair pela porta dos fundos, fugindo àquele encontro decisivo para sua vida, mas abrir a porta para Jesus, matricular-se na sua escola tendo-o como Mestre e não como professor, pois um Mestre é seguido pelos discípulos, ao passo que um professor só tem alunos transitórios (e até aborrecidos) somente enquanto dura o curso… Deixar-se encontrar é, portanto, abrir os olhos para Jesus que nos ensina e nos transforma: “Eu sou a Luz do mudo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da Vida” (Jo 8,12).

Concluindo… Nesta “terra deserta” da quarentena necessária, e na “vastidão do deserto” que é o ainda desconhecimento da medicação que poderá nos aliviar dos graves sofrimentos causados pelo Covid-19, renovemos nossa confiança inquebrantável no Senhor, certos de que somos “propriedade do Senhor” e a “parte da herança que lhe cabe”!

Despeço-me deixando-lhes meu abraço fraterno, companheiro que sou de peregrinação rumo à Pátria definitiva, para todos suplicando as bênçãos do Pai misericordioso,

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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