Versão em Português

Carta MCC Brasil – Abr 2020 – 248ª.

“Jesus disse então: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto? Ela respondeu: ‘Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo’” (Jo 11, 25-27).

Caríssimos irmãos e irmãs, amigos e amigas, unidos na esperança da plena vivência do Mistério pascal: estejam com vocês  a paz e a esperança do Cristo Ressuscitado:

Introdução. Como que espontaneamente, faz-se ouvir com força no meu interior a pergunta que não quer calar – penso, em cada um e cada uma de nós –como falar de Ressurreição e de Vida, neste momento de pandemia e, consequentemente, de tantas mortes? E, se conseguir de alguma forma tratar de tão grave assunto sob a ótica da fé, que repercussão individual e comunitária poderão provocar minhas limitadas palavras? Então, olhando para minha própria situação nestes momentos de ameaçadora presença de um vírus devastador e de uma obrigatória reclusão domiciliar, percebo que se trata de partilhar com todos vocês, caríssimos leitores e leitoras, não conselhos já dados ou sugestões repetidas,que todos já deverão ter recebido à saciedade de inúmeras fontes, mas uma preciosa experiência de recolhimento que abre os horizontes para uma Vida que não se extingue, isto é, para a Ressurreição. Ressurreição de Jesus que celebraremos dentro de mais alguns dias, prelúdio da nossa própria ressurreição para a Vida eterna.

  1. Quaresma, quarentena. Coincidência ou não, quaresma e quarenta são quarenta dias. Quarenta dias no deserto junto com Jesus. Com fome e sede da liberdade de ir e vir… fome e sede de convivência social… fomee sede das nossas belas celebrações dominicais…fome e sede da partilha da Palavra de Deus e da Eucaristia…fome e sede do abraço fraterno desejando-nos uns aos outros a paz de Cristo…Pois bem, permitam-me partilhar uma rica experiência pessoal de aprendizado nestes dias quaresmais.Busco transformá-los em dias de reflexão, de introspecção e de decisões para quando tudo se normalizar. Percebo que me é impossível não alimentar o coração e a mente com as palavras do Salmo: “Nossos dias todosse dissipam pela vossa ira, acabam nossos anos como um sopro. Nossos anos de vida são setenta, oitenta par os mais robustos, mas pela maior parte são fadiga e aborrecimento, passam logo e nós voamos” (Sl 89 (90).¹Para isso, sigo alguns passos:
    • Descanso dinâmico. Rememorando toda a vida passada, os 61 anos de ministério, implorando a Deus perdão pelas minhas faltas e omissões, agradecendo pelo dom da vida e do ministério, entregando-me nas mãos d’Ele, ao seu plano e à sua misericórdia, e orando pelos doentes do coronavírus e pelos falecidos. Ao mesmo tempo, cuidando um pouco do zelo pela limpeza e – porque não? – inventando e reinventando no fogão uma comida mais simples e nutritiva. Sempre tendo presente o tripé quaresmal indicado por Jesus: Jejum, Esmola e Oração;
    • Revalorização da oração litúrgica.Com mais vagar na oração litúrgica das horas canônicas, sobretudo das Laudes e Vésperas, com redobrada atenção aos Salmos;
    • Revalorização do terço. Buscando mergulhar nos divinos Mistérios e na recitação das Ave-Marias que, mesmo repetidas, tornam-se cada vez mais ricas à medida que vou sentindo aquele amor de Mãe que, contemplada no seu manto de Guadalupe, vai me dizendo, como ao índio JuanDiego, “Não estou eu aqui que sou tu Mãe?Não estás debaixo de minha sombra? Não sou eu tua saúde? Não estás, porventura, no meu regaço?”
    • Celebração eucarística. Ainda que sentindo a falta de uma comunidade fisicamente presente, a Palavra e da Eucaristia celebradas nesta solidão quaresmal, aqui no recesso de um pequeno apartamento, parecem adquirir uma nova dimensão, como sempre digo, no mergulho do Mistério mais “humano” e, ao mesmo tempo, mais “divino”de nossa fé. Ordenação sacerdotal, primeira missa, aniversários de ordenação… tudo se faz presente naquele momento no qual o celebrante sempre repete aquelas palavras tão significativas antes da comunhão: “Que o Corpo de Cristo me guarde para vida eterna. Que o Sangue de Cristo me guarde para a vida eterna”.

Sugestão para reflexão pessoal.Lembrando a terrível pandemia do coronavírus, lembrando também os falecidos e infectados, fazer a leitura orante do Salmo 30 (29) que clama nos versículos 3 e 4: “Senhor, meu Deus, a ti clamei e me curaste. Senhor, tu me fizeste  voltar do abismo, restituíste-me a vida para eu não descer à sepultura”.

Termino invocando sobre todos (as) a bênção da Trindade Santíssima: “Pela imposição de minhas mãos sacerdotais, pela invocação da santíssima Virgem Maria, de São José seu esposo, de todos os Anjos e Santos. abençoe-vos  o Deus Todo poderoso Pai, Filho e Espírito Santo. Amém”.

Desejando carinhosamente a todos uma Santa Páscoa da Ressurreição – quando, neste ano, for possível sua celebração, envio uma vez mais meu abraço solidário e fraterno a cada um.

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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