Oito décadas para agradecer

A vida é um dom precioso que não se compra, não se pede para vivê-la, nem se encontra por acaso, mas que somos brindados gratuitamente, talvez, sem merecê-la. E eu tenho tido o privilégio de vivê-la há oito décadas.

Com certeza, viver todo esse tempo exige reflexão e muita gratidão, pois completo oito décadas de uma vida cheia de surpresas, de muitos desafios, mas de imensas gratificações e experiências únicas e indeléveis. A vida é uma construção, é uma obra de arte realizada por muitas pessoas, tecida de experiências, sentimentos, desafios, trabalhos, realizações, conquistas, decepções e frustrações. Ou ainda, poderia dizer que a vida é um livro único, um compêndio de vivências, de momentos de decisões, de acertos e erros, alegrias e dores, de lutas e de conquistas. E ao avaliar minha vida, vejo que passei por todos esses momentos, mas que cada um deles serviu para que eu crescesse e me fortalecesse e, por isso tenho muito a agradecer.

Oito décadas para agradecer os instrumentos através dos quais a vida me foi brindada: meus pais e minha família, pela herança recebida da qual me orgulho e bendigo a Deus.

Agradecer aqueles que com palavras, gestos, carinho, exemplo e compreensão tornaram a minha existência mais rica, mais fácil e mais humana.

Agradecer aqueles que me abriram caminhos, horizontes e me proporcionaram oportunidades de crescimento intelectual, ético e moral e que nesses anos estiveram ao meu lado como mestres, companheiros de trabalho, parceiros nas buscas e no aprofundamento da fé.

Agradecer aqueles que nestas oito décadas me emprestaram os ouvidos para escutar-me em aulas, palestras, homilias, cursos, retiros e reflexões.

Agradecer aqueles que foram misericordiosos e tolerantes diante de minhas limitações e falhas.

Agradecer, ainda, todos aqueles que estiveram ao meu lado como amigos sinceros e verdadeiros em todos os momentos e situações.

Agradecer aqueles que me apoiaram, que me estimularam e incentivaram, ou me ajudaram através da crítica sincera e construtiva.

Neste momento, ao chegar aos oitenta anos de vida, resta-me elevar um hino de gratidão a cada um e a todos que participaram da minha história. Elevar um Magnifcat a Deus por tudo o que recebi, que foi muito além do que poderia esperar ou merecer. Elevar um Magnificat por ter descoberto a beleza da vida, da vida cristã e por anunciá-la com alegria e entusiasmo.

Ao chegar aos oitenta, afirmo: tudo valeu a pena!

Primicério Deus, depois a vida e o amor!

Pe. Xiko

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