Versão em Português

“Vi, então, um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a
primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa,
a nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, vestida como uma
noiva enfeitada para seu esposo. Então, ouvi uma voz forte que saía do
trono e dizia: ‘Esta é a morada de Deus-com-os-homens. Ele vai morar
junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu
Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá
mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas
anteriores passaram.’ Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que
faço novas todas as coisas!’ Depois, ele me disse: ‘Escreve, pois estas
palavras são dignas de fé e verdadeiras’” (Ap 21, 1-5).

Caríssimos amigos (as), leitores (as), companheiros na jornada para um “novo céu e uma nova terra”: com todos estejam a paz e a alegria trazidas pelo Menino recém-nascido na vida de cada um de nós!

“Um novo céu e uma nova terra”: novo ano, novos horizontes para a história da humanidade, novos tempos para a Igreja Povo de Deus, novos planos, novas decisões para a vida de cada pessoa. Imbuídos desse espírito, em geral tão positivo, pomos o pé no novo ano de 2020! Entretanto, nem sempre às previsões positivas e otimistas vai corresponder a realidade que nos espera. A verdade, porém, é que, sejam quais forem as situações a ser vividas, um seguidor do caminho de Jesus sempre vai injetar nelas
otimismo… alegria… entusiasmo e, sobretudo, esperança!

Faz sentido, então, a longa citação acima do livro do Apocalipse, quase sempre tido, todo ele, como profecia de tempos tenebrosos? Sim, faz todo o sentido, como se comprova através da introdução ao Apocalipse que se encontra na Bíblia da CNBB e que aqui reproduzimos de forma resumida. Afinal, Deus promete “fazer novas todas as coisas”, ou seja, fazer um mundo novo através do novo na vida pessoal de cada um de nós, e também na vida da Igreja que contemporaneamente, nas sábias palavras do papa Francisco, é chamada de Igreja em saída. “Este livro só se entende quando se leva em consideração seu gênero literário apocalíptico, que tem modelos no próprio AT e na literatura judaica da época, ao lado do gênero martirológico. Guiado pelo Espírito, o “profeta” apocalíptico, vê em imagens, semelhantes a visões de sonhos, aquilo que o olho humano não vê. Tais imagens não devem ser vistas como descrições realistas de fatos presentes ou futuros, pois o “apocalíptico” vê “o céu aberto”, e enxerga as coisas na ótica de Deus. Ao mesmo tempo, observa o que acontece na terra (a opressão e exclusão dos fiéis e justos), e vê no céu a glória do Cordeiro imolado e dos mártires vencedores. O Apocalipse é um apelo à firmeza e uma mensagem de esperança: vale a pena resistir ao Dragão e suas feras, mesmo que isso custe a vida, ou seja, leve à “primeira morte”, pois pela fidelidade, os fiéis ressuscitarão e não conhecerão a “segunda, morte”, a definitiva. O Apocalipse é, pois, expressão de resistência e de esperança para os cristãos de hoje. Embora as alusões à história sejam difíceis de decifrar e, às vezes, contraditórias, o importante é saber que a Fera representa o poder do mal que quer competir com o poder transcendente de Deus. Sendo indefinidas, surrealistas, as imagens do Apocalipse escapam de interpretações fechadas, e são sempre atuais. Através desse livro, aprendemos a ver a história à luz daquilo que se cumpriu definitivamente na morte e ressurreição do Grande Mártir e Testemunha, Jesus, o Cordeiro “de pé, como que imolado” (5,6). É ele quem abre o livro da história, ele tem a última palavra sobre a história humana (5,9)”.

Bem, assimilados esses esclarecimentos, poderemos agora não só compreender melhor, mas também comprometermo-nos, de acordo com nossas possibilidades e limitações, para que “um novo céu e uma nova terra” se tornem realidade. No fundo, tudo se pode resumir em alimentar aquela esperança que não decepciona, mas que é precioso agente de transformação e de dias melhores…

a) Para um mundo em tantas regiões da terra imerso na violência, no ódio, na exclusão e, principalmente, na vingança. É urgente lutar, como já foi dito, nos limites das possibilidades de cada um para que se transforme esse triste cenário “numa nova terra” onde reine a justiça, o amor, a solidariedade e uma “cultura do encontro”.

b) Para a Igreja Povo de Deus que, à luz da Palavra de Deus, dos documentos eclesiais – de maneira especial do Concílio Vaticano II – e, nestes últimos tempos, dirigida, orientada e testemunhada de maneira excepcional pelo nosso papa Francisco. Vivendo esse processo de renovação, providencial e único em tantos séculos, nossa Santa Igreja será uma anunciadora mais eficaz da Boa Notícia a todos os povos da terra. Assim, mais que a doutrina, os dogmas ou as leis canônicas, o Povo de Deus há de testemunhar, com o seu Mestre, uma Igreja da misericórdia, da solidariedade, do perdão, da acolhida. Particular importância assume essa esperança de “um novo céu e de uma nova terra” para todos os Movimentos Eclesiais, para as comunidades e outras instituições na Igreja. Entre outras providências, isto significa deixar de lado discussões inúteis, desejos de se sobressair no contexto eclesial, lutas pela quase “divinização” de fundadores e/ou iniciadores, etc.

c) Para todos os seguidores do caminho de Jesus. Porque, à medida que se inicia no próprio coração e na vida uma revisão profunda de sua prática da fé, ainda que não se percebam resultados imediatos, vaise vislumbrando ao seu redor, no mundo familiar, no mundo das relações sociais, no mundo do trabalho, “um novo céu e uma nova terra”.

Agradecendo a fraterna atenção que me foi dada nessas limitadas Cartas durante o ano que passou, a todos desejo ardentemente, como irmão, amigo e companheiro na jornada, que o novo ano de 2020 seja repleto das bênçãos e graças do Pai cheio de misericórdia, do Filho repleto de amor e do Espírito Santo inspirador. Esses meus sinceros votos vão acompanhados da minha oração e, sobretudo, da minha lembrança de todos no altar da celebração Eucarística.

P. José G. BERALDO

Equipo Sacerdotal GEN MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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