Meu velho pai

Para falar aos pais e homenageá-los, hoje sirvo-me de tua pessoa, das lembranças que tenho de ti e, especialmente, de teu exemplo.

Meu velho pai era um homem simples, de palavras comedidas, poço sem fundo de paciência e sabedoria.

Meu velho pai era peregrino,  cultivava o gosto pela estrada, pelo andar sem pressa, mas sempre com muita persistência.

Meu velho pai, presença constante, perspicaz amante da vida, das festas, das companhias e do trabalho.

Meu velho pai era homem de uma só palavra, justo, livre de ambições, companheiro e parceiro para todas as horas.

Meu velho pai, homem respeitoso, amava a liberdade, não impunha nada, mas de decisões firmes e claras.

Meu velho pai, modelo de coragem, de  valentia,  capaz de enfrentar a dor, as adversidades e  os mais sérios  desafios e, mesmo  a morte, com a grandeza de um justo.

Meu velho pai era um homem de fácil relacionamento, sem preconceitos de raça, de ideologias políticas, de condições sociais, de religião (não muito comum naqueles tempos).

Meu velho pai era sempre amoroso, sincero, cuidadoso, honesto e transparente;  amante do churrasco e de um bom chimarrão.

Meu velho pai, homem solidário e incansável no  serviço aos irmãos, incapaz de negar ajuda a quem quer que fosse, era completamente despido de vaidade, mas revestido de alegria e muita jovialidade.

Meu velho pai, homem religioso, sem fanatismo, mas de fé comprovada. Meu velho pai, homem honrado em todos os sentidos.

Ó, meu velho pai! Não tiveste o privilégio de gozar das regalias do progresso, do desenvolvimento, das facilidades de hoje, mas não te faltou a alegria e muito menos a paixão de viver e conviver.

Bendito, és tu, meu velho pai! Hoje te recordo com saudades e orgulho pelo legado que deixaste!

Ó, meu velho pai! Penso nos pais de hoje envolvidos em tanta tecnologia, comunicação, progresso, facilidades, mas nem sempre felizes, nem sempre livres, nem sempre prontos a servir.

Ó, meu velho pai! Penso nos pais de hoje chamados a serem heróis diante dos desafios das tecnologias, das liberdades que os sufocam e que muitas vezes os desumanizam.

Ó, meu velho pai! Penso nos pais de hoje, muitos sem tempo para a família, para a solidariedade e, sobretudo, para o amor e para Deus.

Ó, meu velho pai! Penso nos pais de hoje com melhor situação financeira, mais esclarecidos, com mais estudo, no entanto, muitos deles com menos condições de enfrentar os desafios da vida, menos realizados, menos pacientes, menos felizes.

Neste final de semana,  será dia dedicado aos  pais, pensemos neles, em seus valores, em suas lutas,  desafios  e angústias e, movidos pelo sentimento de filialidade, elevemos ao Pai Celeste uma prece fervorosa por eles, para que não lhes faltem a coragem, o discernimento e a alegria de sua vocação de pais.

Parabéns, pais,  em seu dia!

Pe. Xiko

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