Versão em Português

“Felizes os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados” (Mt 5,6).

Queridos leitores e leitoras, esteja com vocês o espírito das bem-aventuranças através das quais o Mestre nos indicou o caminho a seguir.

Introdução. Fiéis à nossa proposta já comentada, continuamos a buscar na fonte de nossas reflexões, a Exortação Apostólica Gaudete et Exultate (GE) do papa Francisco, a inspiração para o nosso caminhar com Jesus. Assim, chegamos ao importante e oportuno tema da “justiça”. Devemos lembrar de que, como os demais temas já tratados ou que ainda o serão, todos mostram, conforme mostra o próprio título da GE,

o caminho para responder ao “chamado à santidade no mundo atual”. E, em uma das estações deste caminho, detemo-nos para refletir – e para tentar pôr em prática – sobre a JUSTIÇA das bem-aventuranças.

A justiça dos homens. Nos limites do humano, podem-se considerar algumas interpretações da justiça: a “distributiva” que seria basicamente uma medida da proporção e necessidade; a “comutativa”, isto é, a das relações sociais de troca (“dou para que me dês” na mesma proporção) e a justiça “retributiva” que é, por exemplo, a justiça trabalhista. Entretanto, se esse seria o ordenamento jurídico ideal, com frequência e, pior, habitualmente ele é infringido seja pelo poder civil em seus vários níveis, seja pela pessoa, gerando, assim, as injustiças, a discriminação, o ódio, a violência, etc. cujos efeitos sentimos em nossa própria carne! Assim se refere a GE a essa justiça: uma justiça muitas vezes manchada por interesses mesquinhos, manipulada para um lado ou para outro. A realidade mostra-nos como é fácil entrar nas súcias da corrupção, fazer parte dessa política diária do «dou para que me deem», onde tudo é negócio. E quantas pessoas sofrem por causa das injustiças, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida. Alguns desistem de lutar pela verdadeira justiça, e optam por subir para o carro do vencedor. Isto não tem nada a ver com a fome e sede de justiça que Jesus louva” (GE 78).

A justiça divina. Alguns a chamam de “justiça excessiva”, ou seja, que supera toda a justiça humana, porque brota do coração misericordioso e da bondade inesgotável do Pai. Em várias passagens dos Evangelhos Jesus como que “traduz” essa mesma justiça das bem-aventuranças, como o caminho da santidade. Exemplo disso é sua afirmação relatada em Mateus, 5, 20: “Eu vos digo: se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. Vejamos, então, e reflitamos sobre o que diz a GE “Essa justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões, e depois se manifesta na busca da justiça para os pobres e vulneráveis. É verdade que a palavra “justiça” pode ser sinônimo de fidelidade à vontade de Deus com toda a nossa vida, mas, se lhe dermos um sentido muito geral, esquecemo-nos que se manifesta especialmente na justiça com os mais fracos e excluídos: “procurai o que é justo, socorrei os oprimidos, fazei justiça aos órfãos, defendei a causa das viúvas” (Is 1, 17).E conclui: “Buscar a justiça como fome e sede: isto é santidade” (GE 79).

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Que caminhos percorrer para concretizar, dentro das limitações humanas, aquela “justiça excessiva” segundo o coração de Deus? Seriam, com certeza, os caminhos do amor, da solidariedade, do perdão, da proximidade fraterna, etc. E como traduzir, em atitudes práticas, nossos passos nesses caminhos?

Rogando a Deus para que inspire seus filhos e filhas a encontrar a coragem necessária para trilhar esses caminhos, despeço-me com meu abraço fraterno de irmão e amigo.

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe sacerdotal do Grupo Executivo Nacional

MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

Siga-nos: