Liturgia do dia 23/04/2019

Leituras
At 2,36-41
Sl 32(33),4-5.18-19.20.22 (R/. 5b)
Jo 20,11-18

3ª-feira na Oitava da Páscoa

Terça-Feira

Primeira Leitura: At 2,36-41

36Por isso toda a casa de Israel deve saber com certeza que Deus entronizou como Senhor e Cristo este Jesus que vós crucificastes”. Início da Igreja: primeiras conversões. 37A estas palavras, sentiram o coração despedaçado e disseram a Pedro e aos demais apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?”. 38Pedro lhes respondeu: “Convertei-vos e cada um peça o batismo em nome de Jesus Cristo, para conseguir perdão dos pecados. Assim, recebereis o dom do Espírito Santo. 39Pois a promessa foi feita para vós e vossos filhos, assim como para todos aqueles — tão numerosos — que se acham longe de vós, que Deus irá chamar”. 40E ainda com muitas outras palavras insistia com eles e os aconselhava dizendo: “Salvai-vos dessa geração perdida”. 41Ora, os que acolheram sua palavra receberam o batismo; e naquele dia aderiram mais ou menos três mil pessoas. 

Salmo: Sl 32(33),4-5.18-19.20.22 (R/. 5b)

R.: Da graça do Senhor enche-se a terra.

4Pois é reta a palavra do Senhor, e tudo o que ele fez é verdadeiro. 5Ele ama a justiça e a retidão, da graça do Senhor enche-se a terra.

18Porém olha o Senhor pelos que o temem, aqueles que confiam em seu amor, 19para livrar da morte as suas almas e fazê-los viver quando houver fome!

20Nossas almas esperam no Senhor: é ele o nosso auxílio e o nosso escudo. 22Venha a nós, ó Senhor, a tua graça: colocamos em ti nossa esperança! 

 

Evangelho: Jo 20,11-18

11Maria, contudo, ficou fora chorando, perto do sepulcro. Enquanto soluçava, inclinou-se para o túmulo, 12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira, outro aos pés do lugar onde o corpo de Jesus tinha sido depositado. 13Perguntaram-lhe: “Mulher, por que choras?”. Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Dizendo isso, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, mas não percebeu que era ele. 15 Jesus disse: “Mulher, por que choras? A quem procuras?”. Ela o confundiu com o jardineiro e lhe pediu: “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste para que eu vá buscá-lo!”. 16 Jesus lhe disse: “Maria!”. Ela, voltando-se, falou-lhe em hebraico: “Rabbuní!”, que significa “Mestre”. 17Jesus disse: “Não me segures mais, pois já não estou glorificado face ao Pai? Vai, porém, procura meus irmãos para lhes dizer: subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Vi o Senhor!” E contou o que Jesus tinha dito.

Leituras: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2019 – Ano C – São Lucas, Brasília, Edições CNBB, 2018.

Citações bíblicas: Bíblia Mensagem de Deus, São Paulo, Edições Loyola, 2016.

 

Boa Nova para cada dia

O Evangelho de São João Evangelista lido hoje apresenta a aparição de Jesus apenas a Maria Madalena. São João tem um objetivo claro: Maria Madalena deve levar uma mensagem aos discípulos: Ele ainda deve subir a Deus Pai, e somente aparecer a eles depois.

O que Jesus diz, precisamente, à Madalena?

Está em Jo 20,17:

“Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai.

Mas vai dizer aos meus irmãos:

subo para junto do Meu Pai e vosso Pai,

Meu Deus e vosso Deus”.

O que esta mensagem quer dizer?

Basta reparar os detalhes novos:

– aqui Jesus chama Deus de Seu Pai, como normalmente fazia, mesmo diante dos seus opositores judeus. Mas o novo é que chama o Pai de “Meu Deus”.

Jesus não diz que o Pai é Deus somente para Ele. Agora diz que Deus é “vosso Pai”. Que diferença isto faz?

A diferença é que Jesus mostra como, pela sua Ressurreição, a condição do relacionamento dos discípulos com Deus está mudada: é do mesmo tipo que a relação Dele com o Pai, pois agora os discípulos são chamados por Ele de “irmãos” (Jo 20,17d). Vamos à divindade de Deus Pai levados pela divindade do Deus Filho e não sem Ele, pois Jesus nos chama agora “irmãos”.

O alcance desta afirmação teológica é profundo.

Jesus quer dizer que há uma novidade no relacionamento dos homens com Deus.

Antes da Ressurreição de Jesus as pessoas adoravam Deus como “Pai” de maneira meramente humana, sem parentesco marcado pela participação na natureza divina de Jesus.

Depois da Ressurreição os homens podem se relacionar com Deus participando da natureza divina de Jesus Deus, mesmo não sendo deuses. A diferença entre a condição da humanidade antes e depois da Ressurreição de Jesus é grande.

Vamos entender melhor a “participação na natureza divina” lendo 2Pe 1,3-4:

V.3. Com seu divino poder, Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade, através do conhecimento de Jesus que nos chamou por sua própria glória e virtude.

V.4. Por meio delas é que Ele nos deu os bens extraordinários e preciosos que tinham sido prometidos [nas Escrituras], para que com esses vocês se tornassem participantes da natureza divina.

Nesta reflexão São Pedro entendeu que a humanidade foi elevada a um relacionamento especial com Deus, porque Jesus, Filho de Deus encarnado como homem, trouxe Sua divindade aos homens no dia em que ressuscitou.

Esta participação na divindade de Jesus nos é dada no Batismo e na Eucaristia.

No Batismo como diz São Paulo em Cl 2,12:

Com Ele, vocês foram sepultados no Batismo,

e Nele vocês foram também ressuscitados mediante a fé no poder de Deus,

que ressuscitou Cristo dos mortos.

Na Eucaristia, Jesus mesmo disse, em Jo 6,54:

Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a Vida Eterna,

e eu o ressuscitarei no último dia.

 Há uma maneira fácil de entender a participação na natureza divina. É São João da Cruz quem dá esta comparação: o ferro posto entre brasas fica incandescente apesar de não produzir fogo por si mesmo. O ferro “participa” da natureza do fogo sem a ter por si.

Nós, em união com Jesus Cristo Ressuscitado, participamos de Sua natureza divina – porque Deus quis assim – e não por termos natureza divina.

Vamos saborear espiritualmente estas informações para que frutifiquem espiritualmente em nossa mente e coração.

Nosso relacionamento pessoal com Deus alcançará um nível mais elevado se vivermos conscientes desta participação na Vida Divina.



Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.  


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