Liturgia do dia 19/04/2019

Leituras
Is 52,13-53,12
Sl 30 (31),2.6.12-13.15-16.17.25 (Lc 23,46)
Hb 4,14-16; 5,7-9
Jo 18,1-19,42

Paixão do Senhor

Sexta-Feira

Primeira Leitura: Is 52,13-53,12

13Eis que meu servo prosperará, crescerá, se elevará e será muito exaltado! 14Como pasmaram muitos à sua vista pelo seu aspecto tão desfigurado — não tinha mais aparência humana —, 15 também pasmarão muitas nações! Diante dele os reis se calarão, pois o que não lhes tinha sido contado eles verão, o que eles não tinham ouvido compreenderão. 53 1Quem crerá no que ouvimos? A quem foi revelado o braço de Javé? 2Ele cresceu ante nós como rebento, como raiz em terra ressequida. Não tem beleza nem formosura — nós o contemplamos —, sem agradável aparência. 3Desprezado e repudiado pelos homens, homem de dores, experimentado na doença como alguém diante do qual se esconde seu rosto, desprezado e desconsiderado. 4Contudo, ele suportava nossas doenças e carregava nossas dores. Nós o reputamos como marcado, como ferido por Deus e humilhado. 5Mas ele era traspassado pelos nossos pecados, ferido por causa dos nossos crimes. O castigo caiu sobre ele para nossa salvação, nós fomos curados pelas suas chagas. 6Andávamos desgarrados como ovelhas, cada um seguindo seu caminho: Javé fez recair sobre ele a iniquidade de nós todos. 7Maltratado, ele se submeteu e não abriu a boca. Como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha calada ante o tosquiador, ele não abriu sua boca. 8Foi arrebatado por sentença violenta: dentre seus contemporâneos, quem se importou que tivesse sido eliminado da terra dos viventes e ferido de morte por nossos pecados? 9Deram-lhe sepultura entre os ímpios e seu túmulo entre os ricos, embora não tivesse cometido violência alguma, nem houvesse falsidade na sua boca. 10 Javé quis consumi-lo com sofrimentos. Se ele oferece a vida em expiação, verá uma descendência, prolongará seus dias, e a vontade de Javé se cumprirá por ele. 11Por tudo que sofreu, verá a luz e ficará saciado por seu conhecimento. Por suas dores, meu servo justo justificará muitos, tomando sobre si as iniquidades deles. 12Por isso lhe atribuirei parte entre os grandes, com os poderosos participará dos despojos, porque entregou sua vida à morte, e com os culpados foi contado quando ele mesmo tomou sobre si os pecados de muitos e intercedeu pelos pecadores.

Salmo: Sl 30 (31),2.6.12-13.15-16.17.25 (Lc 23,46)

R.: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!

2Recorro a ti, Senhor, não me confundas: vem, na tua justiça, libertar-me! 6Nas tuas mãos deponho o meu espírito, porque és um Deus fiel e me redimes.

12 Sou agora motejo do inimigo, sentem nojo de mim os meus vizinhos. Sou para os meus amigos um escândalo, fogem de mim aqueles que me encontram. 13Os corações me esquecem: sou um morto; como um vaso partido me tornei.

15Confio em ti, Senhor, apesar disso, e declaro: Senhor, és o meu Deus! 16Em tuas mãos se encontra o meu destino; liberta-me das mãos que me perseguem!

17Brilhe sobre o teu servo a tua face, possa a tua bondade me salvar! 25Ao alto os corações, tende coragem, ó todos que ao Senhor vos confiastes!

Segunda Leitura: Hb 4,14-16; 5,7-9

14Tendo, pois, um grande sumo sacerdote, que atravessou os céus, Jesus, o Filho de Deus, conservemos firmemente a profissão de fé que proclamamos. 15Não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas. Pelo contrário, ele foi tentado em tudo como nós o somos, mas não cometeu pecado. 16Aproximemo-nos, pois, com confiança do trono de Deus, onde está a graça, para alcançar a misericórdia e encontrar a graça para a ajuda no momento oportuno.

5 7 Ele é que, nos dias da sua vida na terra, dirigiu petições e súplicas, com veementes clamores e lágrimas, a Deus que o podia libertar da morte. E foi ouvido por causa da sua piedade. 8Embora fosse Filho, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que padeceu. 9E, tendo-se tornado perfeito, fez-se causa de salvação eterna para todos quantos lhe obedecem.

Evangelho: Jo 18,1-19,42

1Depois de ter falado assim, Jesus foi com seus discípulos para o outro lado da torrente de Cedron. Havia ali um jardim onde Jesus entrou com seus discípulos. 2Judas, o traidor, conhecia bem o lugar, porque Jesus e seus discípulos se reuniam lá muitas vezes. 3Judas, conseguindo um destacamento de soldados, e guardas dos sacerdotes e fariseus, lá chegou à luz de lanternas e tochas, e com armas. 4 Jesus, sabendo tudo que lhe ia acontecer, adiantou-se e perguntou: “A quem procurais?”. 5Responderam: “A Jesus de Nazaré”. Ele disse: “Sou eu”. Judas, o traidor, estava com eles. 6Mas quando Jesus lhes disse: “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. 7Ele lhes perguntou de novo: “A quem procurais?” Disseram: “A Jesus de Nazaré”. 8 Jesus respondeu: “Já vos disse que sou eu. E se é a mim que procurais, deixai que os outros se retirem”. 9Assim é que se cumpriu a palavra que ele tinha dito: “De todos aqueles que me deste, nenhum se perdeu”. 10 Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu um servo do Sumo Sacerdote cortando a sua orelha direita. O nome do servo era Malco. 11Jesus disse a Pedro: “Embainha a tua espada. Por acaso deixarei de beber o cálice que o Pai me deu?”. 12Então o destacamento, seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e amarraram-no. 13Primeiro levaram-no à presença de Anás, pois era sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote daquele ano. 14Caifás é que tinha aconselhado aos judeus: “É preferível que morra um só homem por todo o povo”.  15Entretanto, Simão Pedro e outro discípulo acompanhavam a Jesus. Este outro discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio dele. 16Pedro tinha ficado de fora, perto da porta. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou com a porteira e fez com que Pedro também entrasse. 17A empregada, que era porteira, perguntou a Pedro: “Não és tu também um dos discípulos deste homem?”. 18Ele respondeu: “Não sou!”. Os empregados e os guardas tinham feito uma fogueira por causa do frio e estavam se aquecendo. Pedro, de pé junto a eles, também estava se aquecendo. 19O Sumo Sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20Jesus respondeu: “Eu falei abertamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde se reúnem os judeus. Nada falei às escondidas. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que me ouviram o que lhes ensinei; eles bem sabem o que eu disse”. 22A estas palavras, um dos guardas que estavam por ali deu uma bofetada em Jesus dizendo: “É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?”. Jesus respondeu: 23“Se falei erradamente, mostra a todos o que foi, se, pelo contrário, acertadamente, por que estás batendo em mim?”. 24Então, Anás enviou Jesus ainda amarrado a Caifás, o Sumo sacerdote. 25 Simão Pedro continuava lá, de pé, a se aquecer. Disseram-lhe: “Acaso não és tu também um dos seus discípulos?”. “Não, não sou”, respondeu ele. 26Um dos empregados do Sumo Sacerdote, parente daquele de quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: “Como? Eu não te vi com eles no jardim?”. 27Pedro negou de novo. Naquele momento um galo cantou. 28Levaram Jesus da presença de Caifás à residência do Governador. Era de madrugada e eles não entraram na residência para não se contaminarem e poderem comer o cordeiro pascal. 29Então, Pilatos saiu para falar com eles e lhes disse: “Que acusação apresentais contra este homem?”. 30Responderam: “Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos a ti”. 31Pilatos disse: “Tomai-o vós mesmos e julgai-o conforme vossa Lei”. Os judeus responderam: “Não temos direito de matar ninguém”. 32E isto porque era preciso que se cumprisse a palavra de Jesus, pela qual tinha dado a entender de que morte devia morrer. 33 Pilatos entrou novamente na sua residência, mandou chamar Jesus e lhe disse: “És tu o rei dos judeus?”. 34 Jesus perguntou por sua vez: “Dizes isto por conta própria ou outros te disseram isso de mim?”. 35 Pilatos respondeu: “Por acaso sou eu judeu? Teu povo e os sacerdotes-chefes te puseram nas minhas mãos. Que fizeste?”. 36 Jesus respondeu: “Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus guardas teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui”. 37Pilatos perguntou: “Então tu és rei?”. Jesus respondeu: “Tu o dizes, eu sou rei! Para isto nasci. Para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz”. 38Pilatos por fim lhe perguntou: “Mas, que é a verdade?”. Dito isto, saiu de novo ao encontro dos judeus e comunicoulhes: “Não acho nenhuma culpa nele. 39Mas tendes o costume de que eu solte um preso na Páscoa. Não desejais, então, que solte o rei dos judeus? 40Todos começaram a gritar, com fúria: “Não ele, mas Barrabás!”. Barrabás, no entanto, era um bandido. 19 1Então Pilatos mandou prender e flagelar Jesus. 2Em seguida, os soldados entrelaçaram com ramos de espinhos uma coroa, que puseram sobre a sua cabeça e o cobriram com um manto de púrpura. 3E se achegavam a ele e diziam: “Salve, rei dos Judeus!”, e davam-lhe bofetadas. 4Pilatos saiu de novo para fora e lhes disse: “Vede! Eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de condenação”. 5Fez, então, com que Jesus saísse, trazendo a coroa de espinhos e o manto cor de púrpura, e lhes disse: “Eis o homem!”. 6Quando o viram, os sacerdotes-chefes e os seus guardas gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Pilatos disse: “Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu mesmo não encontro nele motivo algum de condenação”. 7Os judeus protestaram: “Nós temos uma Lei e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se diz Filho de Deus”. 8Quando Pilatos ouviu isto, ficou mais assustado ainda. 9Voltando a entrar na sua residência, perguntou de novo a Jesus: “De onde és tu?”. Mas Jesus não lhe deu resposta. 10Pilatos então lhe falou: “Não me respondes? Não sabes que tenho poder para te pôr em liberdade ou crucificar-te?”. 11 Jesus respondeu: “Não terias nenhum poder sobre mim se não tivesse sido dado por Deus, por isso quem me entregou a ti tem pecado maior”. 12A partir desse momento, Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: “Se o soltares, não serás mais amigo de César: todo aquele que se faz rei se opõe a César!”. 13Ouvindo isto, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal instalado no lugar, chamado Litóstrotos, em hebraico Gabbatá. 14Era o dia da Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: “Aqui está o vosso rei!”. Eles começaram a gritar: “À morte! À morte! Crucifica-o!”. Pilatos insistiu: “Como? Crucificar vosso rei?”. 15Os sacerdotes-chefes responderam: “Não temos outro rei senão César!”. 16Então, Pilatos o entregou para ser crucificado. E eles se apoderaram de Jesus. 17Ele, carregando a cruz, saiu da cidade, rumo ao lugar chamado Crânio (em hebraico Golgothá). 18Ali o crucificaram juntamente com dois outros: um de cada lado e Jesus no meio. 19Pilatos escreveu também um letreiro e mandou colocá-lo no alto da cruz. Nele estava escrito: “Jesus de Nazaré, o rei dos judeus”. 20Muitos dos judeus tomaram conhecimento deste letreiro, porque o lugar onde crucificaram Jesus ficava perto da cidade; e além disso, o letreiro estava escrito em hebraico, grego e latim. 21Os sacerdotes-chefes dos judeus pediram inutilmente a Pilatos: “Não escrevas: ‘O rei dos judeus’, mas sim ‘este homem disse: eu sou o rei dos judeus’”. 22Pilatos respondeu: “O que escrevi, está escrito”. 23Depois de terem crucificado Jesus, os soldados pegaram suas roupas e as dividiram em quatro partes: uma para cada soldado. Quando chegou a vez da túnica, uma túnica sem costuras, de uma só peça tecida de cima abaixo, 24 eles decidiram entre si: “Não a rasguemos; tiremos a sorte para ver a quem caberá”. Cumpria-se assim a profecia: Repartiram entre si minha roupa, e sortearam minha túnica. Assim fizeram os soldados. A mãe de Jesus e o discípulo amado. 25Perto da cruz de Jesus, estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena. 26E Jesus, vendo sua mãe e perto dela o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho!”. 27Em seguida, disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe!”. E desde aquela hora o discípulo a recebeu aos seus cuidados. 28Depois, sabendo que estava tudo consumado, Jesus, cumprindo a Escritura, disse: Tenho sede. 29Havia por ali um vaso cheio de vinagre. Prendendo uma esponja embebida em vinagre na haste de um hissopo, a levaram à boca de Jesus. 30Depois de ter tomado o vinagre, Jesus exclamou: “Tudo está consumado!”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Sangue e água jorram do lado de Jesus. 31Entretanto, como era o dia da Preparação, os judeus, com medo de que os corpos ficassem nas cruzes durante o sábado — este dia de sábado devia ser muito importante —, pediram a Pilatos licença para lhes quebrar as pernas e retirar os corpos de lá. 32Os soldados então, foram, quebraram as pernas do primeiro e, depois, do outro que tinha sido crucificado com ele. 33Quando chegaram, porém, a Jesus, viram que já estava morto e não lhe quebraram as pernas; 34mas um soldado lhe abriu o lado com a lança e, no mesmo instante, saiu sangue e água. 35Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro. E ele sabe que diz a verdade, para que vós também acrediteis. 36Porque tudo isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura: Nenhum osso lhe será quebrado. E a Escritura diz também: 37 Contemplarão aquele que trespassaram. 38Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas em segredo, por medo dos judeus, pediu autorização a Pilatos para retirar o corpo de Jesus. Pilatos concedeu. Então foi e retirou o corpo dele. 39Foi também Nicodemos, aquele que em certa ocasião tinha ido encontrar-se com ele à noite. Levava uma grande quantidade de mirra com aloés. 40Tomaram o corpo de Jesus e o envolveram com panos perfumados, como é costume enterrar entre os judeus. 41No lugar onde tinha sido crucificado, havia um jardim e, no jardim, uma sepultura nova, na qual ninguém ainda tinha sido depositado. 42Como a sepultura estivesse próxima, depositaram ali Jesus por causa da Preparação dos judeus.



Leituras: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2019 – Ano C – São Lucas, Brasília, Edições CNBB, 2018.

Citações bíblicas: Bíblia Mensagem de Deus, São Paulo, Edições Loyola, 2016.

 

Boa Nova para cada dia

 

EM VOSSAS MÃOS, SENHOR, ENTREGO O MEU ESPÍRITO.

[Sl 30(31),6a]

Onde estaria a mente de Jesus no momento em que agonizava e morria sobre a cruz?

Ele somente podia pensar em duas coisas: sua morte era obediência a Deus Pai e ao mesmo tempo era o perdão dos pecados de toda a humanidade.

Ele estaria triste por isso? De modo algum. Estaria feliz por ter cumprido a mais perfeita obediência a Deus, por meio de sua morte.

Foi assim, que, em total confiança em Deus Pai, disse-Lhe:

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito [Sl 30(31),6a].

Primeira Leitura: Is 52,13–53,12.

… ele foi ferido por causa de nossos pecados,

esmagado por causa de nossos crimes;

a punição a ele imposta era o preço da nossa paz,

e suas feridas, o preço de nossa cura (Is 53,5).

Do Antigo Testamento, em Is 52,13–53,12, a Liturgia da Palavra de hoje vai buscar uma profecia sobre a Morte de Jesus.

Este texto de Isaías fala de um personagem misterioso, o “Servo de Javé”, que morre pelos pecados do Povo de Deus.

A Igreja, já em seus primeiros anos, em Jerusalém, entendeu o “Servo de Javé” como figura de Jesus Cristo e Sua Morte.

Esta compreensão se explica pelo fato de Jesus mesmo ter dito que derramaria Seu Sangue para a remissão dos pecados (Lc 22,20) de Israel e de toda a humanidade. Assim Jesus mesmo se identificou com o “Servo de Javé”.

A Leitura toda nos leva a ver os sofrimentos de Jesus em sua Paixão e Morte.

Mais importante, no entanto, esta Leitura nos mostra também os efeitos salvadores da Morte de Jesus:

– éramos como ovelhas desgarradas: pecadores fora da casa de Deus (Isaías 53,6), cujo retorno à casa paterna devia ser pago pelo sofrimento do “Servo”.

– golpeado até morrer, redimiu os pecados do Povo de Deus (Isaías 53,8).

– O “Servo”, o “Justo” perante Deus, fará com que Deus considere justos inúmeros homens cujos pecados redimiu (Isaías 53,11).

– Ele intercede em favor de nós, os pecadores, junto de Deus (Isaías 53,12).

– a cura de nossa condição pecadora foi paga por Ele, ferido na cruz em nosso lugar (Isaías 53,5).

– a paz que hoje temos com Deus, resultou da punição imposta a Ele, em nosso lugar (Is 53,5).

Outros detalhes desta Leitura nos levarão à contemplação de Jesus Cristo em sua cruz. Nela olhemos Jesus Cristo sofredor como o “Servo de Javé”, deixando-nos mover por compaixão e ao mesmo tempo por gratidão: se Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Filho do Homem, não morresse por nossos pecados, quem poderia fazê-lo por nós?

Salmo Responsorial: Sl 30(31),2-25.

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito [Sl 30(31),6a].

Quando Jesus estava na cruz fez muitas orações antes de morrer.

A tradição da Igreja conservou as “Sete Palavras de Jesus na Cruz”.

A última delas é a oração tirada deste Salmo: Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito [Sl 30(31),6a], conforme lemos em  Lc 23,46.

Jesus sabia os salmos de memória. Em meio a seu sofrimento pregado na Cruz, seus sentimentos foram os que o Salmo Responsorial de hoje trazem como lamentação diante de Deus.

Ouçamos o Salmo em meditação e profundo respeito, ouvindo estas orações como saindo da boca de Jesus.

Segunda Leitura: Hb 4,14-16;5,7-9.

Temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas,

pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós …. (Hb 4,15).

Esta Leitura da Epístola aos Hebreus foi escolhida para despertar em nós a confiança em Jesus. Ele não é inacessível, porque, como nós sofremos por causa de nossa fé neste mundo, Ele também sofreu.

Esta passagem de Hebreus não insiste na morte de Jesus como pagamento de nossos pecados. Insiste, sim, na atitude de Jesus diante de Deus, isto é, ser obediente à vontade de Deus Pai. É deste modo que Jesus Cristo é para nós modelo: sendo obedientes como Ele, teremos salvação eterna.

O ponto importante nesta Segunda Leitura é a obediência de Jesus a Deus.

Não foi por ser obediente a Deus que Jesus enfrentou a condenação injusta, a flagelação, a paixão na Cruz e Sua Morte?

Perguntemos então: até a que ponto vai nossa obediência à vontade de Deus em Seus Mandamentos?

Esta leitura nos faz olhar Jesus crucificado por obediência a Deus.

Que Ele seja para nós o reforço em nossa decisão de viver conforme a vontade de Deus em tudo. Somente aqui encontramos paz de consciência e muito mais: a felicidade verdadeira. Não deixemos para outro dia a experiência desta felicidade, começando desde agora a fazer sempre a vontade de Deus.

Evangelho: Jo 18,1–19,42.

Os sumos sacerdotes responderam: “não temos outro rei senão César”.

Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado … (Jo 18,15-16).

Os Evangelhos narram o julgamento de Jesus sob diferentes autoridades.

Mas o Evangelho de São João Evangelista somente fala do julgamento de Jesus por Anás, Caifás e Pilatos.

Os sumos sacerdotes condenaram Jesus porque Ele se disse “Filho de Deus” (Jo 18,7). Portanto era uma razão teológica. Deus, para os judeus, era único. Não teve filho algum. Como é que Jesus se dizia Filho de Deus?

O governador Pilatos condenou Jesus porque fora acusado, pelos sumos sacerdotes ainda, de ser “Rei dos Judeus”. E disseram a Pilatos que não tinham outro rei senão César. Isto é, Jesus, para os sumos sacerdotes, era um problema político para Roma. Mesmo sabendo que isto era mentira, pois Jesus dissera a Pilatos que seu reino não era deste mundo, Pilatos cede à pressão dos sumos sacerdotes e manda crucificar Jesus.

Condenando Jesus erraram tanto os sumos sacerdotes como Pilatos.

A Verdade (Jo 18,38) que Jesus era não lhe foi revelada.

Perguntaríamos: por que Jesus não se explicou melhor a Pilatos?

Aqui entramos no mistério de Deus sobre a Morte de Jesus.

Não era para Pilatos aprender, no julgamento de Jesus, o que era a Verdade. Ele, para não fazer um julgamento errado, devia saber antes tanto o que fosse justiça e a “Verdade”, a pessoa de Jesus, que pregou na Judéia no tempo em que Pilatos era governador. Herodes, ao menos, tinha curiosidade sobre Jesus (Lc 23,8).

Do mesmo modo os sumos sacerdotes deveriam saber, antes de julgar Jesus, que Ele era o Verdadeiro Filho de Deus, pois podiam chegar a este conhecimento pela própria Escritura que diz, no Salmo 2,7b: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. E muitas passagens das Escrituras teriam levado os sumos sacerdotes a aceitar Jesus, caso tivessem um mínimo de boa vontade e menos apego a seus cargos.

A riqueza do Evangelho de hoje é vasta.

Consideremos, portanto, os diferentes pontos que este Evangelho nos apresenta para contemplarmos a Paixão e Morte de Jesus.



Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.     


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