Liturgia do dia 18/04/2019

Leituras
Ex 12,1-8.11-14
Sl 115(116 B),12-13.15-16bc.17-18 (R/. cf. 1Cor 10,16)
1Cor 11,23-26
Jo 13,1-15

Semana Santa

Quinta-Feira

Primeira Leitura: Ex 12,1-8.11-14

1Disse Javé a Moisés e Aarão na terra do Egito: 2 “Este mês será para vós o principal dos meses. Para vós será ele o primeiro dos meses do ano. 3Falai assim a toda a comunidade de Israel: ‘No décimo dia deste mês, cada um tomará para si um cordeiro por família, um cordeiro por casa. 4 Se a família for pouco numerosa para comer o cordeiro, convidar-se-á o vizinho que estiver mais próximo de sua casa, até se completar o número adequado de pessoas. Leve-se em conta, neste convite, o quanto cada qual pode comer. 5O animal será sem defeito, macho, e de um ano. Podereis escolher um cordeiro ou cabrito. 6Conservá-lo-eis de reserva até o décimo quarto dia deste mês, quando toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao entardecer. 7Tomarão o sangue e o passarão sobre os umbrais e sobre a verga da porta, nas casas em que o comerem. 8Nessa mesma noite comerão a carne, assada ao fogo; hão de comê-la com pães ázimos e ervas amargas. 11E é deste modo que o comereis: cingidas as cinturas, vossas sandálias nos pés e vosso cajado na mão. Comereis apressadamente, porque é a Páscoa de Javé. 12Nessa noite eu percorrerei a terra do Egito: e ferirei, na terra do Egito, a todos os primogênitos, de homens e animais. E contra todos os deuses do Egito executarei julgamentos, eu, Javé. 13O sangue, porém, será o vosso sinal nas casas onde estiverdes: quando eu vir o sangue, passarei por vós e irei adiante. Assim, não se deterá sobre vós a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós um dia, memorável, que celebrareis como festa em honra de Javé. De geração em geração haveis de festejá-lo, por um estatuto perene.

Salmo: Sl 115(116 B),12-13.15-16bc.17-18 (R/. cf. 1Cor 10,16) [Sl 115, 3-4.6-7.8-9]

R.: O cálice de bênção que abençoamos é a nossa comunhão com o sangue do Senhor!

3Como agradecerei ao meu Senhor tudo o que fez por mim? 4Por minha salvação elevo o cálice, invocando o seu nome!

6Quão preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus santos! 7Teu servo sou, de tua escrava filho; quebraste os meus grilhões!

8E te ofereço, grato, um sacrifício, o teu nome invocando. 9Pago minhas promessas ao Senhor diante de todo o povo.

Segunda Leitura: 1Cor 11,23-26

23 Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti, que o Senhor Jesus, na noite em que era traído, tomou o pão 24e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em minha memória”. 25Do mesmo modo, após a ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; toda vez que o beberdes, fazei-o em minha memória”. 26Toda vez que comeis este pão e bebeis este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.

 

Evangelho: Jo 13,1-15

1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até a consumação. 2Durante a ceia, quando o diabo já havia insinuado no coração de Judas o propósito de entregá-lo, 3 Jesus sabia que o Pai tinha posto tudo nas suas mãos e que tinha saído de Deus e para Deus voltava; 4levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e enrolou-a na cintura. 5Depois, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha que tinha amarrado na cintura. 6Quando chegou perto de Simão Pedro, este lhe perguntou: “Senhor, vais lavar os meus pés?”. 7 Jesus respondeu: “Não compreendes o que faço agora. Tu compreenderás mais tarde”. 8Pedro disse: “Não! Nunca me lavarás os pés!”. Jesus respondeu: “Não terás parte comigo se eu não te lavar os pés”. 9Então, Simão Pedro disse: “Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça!”. 10Jesus respondeu: “Quem tomou banho não precisa senão lavar os pés, pois está inteiramente limpo. Vós também estais limpos mas não todos”. 11Ele já sabia quem o havia de entregar. Por isso disse: “Não estais todos limpos!”. 12Quando acabou de lhes lavar os pés, vestiu de novo o manto, voltou a sentar-se e lhes disse: “Compreendeis o que vos fiz? 13Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque realmente eu o sou. 14 Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15Eu vos dei um exemplo, para que vós também façais como eu fiz.

Leituras: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2019 – Ano C – São Lucas, Brasília, Edições CNBB, 2018.

Citações bíblicas: Bíblia Mensagem de Deus, São Paulo, Edições Loyola, 2016.

 

Boa Nova para cada dia

 

TODAS AS VEZES QUE COMERDES DESTE PÃO E BEBERDES DESTE CÁLICE, ESTAREIS PROCLAMANDO A MORTE DO SENHOR, ATÉ QUE ELE VENHA

(1Cor 11,26)

Primeira Leitura: Ex 12,1-8.11-14.

Toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde. (Ex 12,6b).

Ao longo de toda a liturgia de hoje nossa mente e nosso coração estão com Jesus Cristo que na Última Ceia se despede de seus discípulos.

Esta é a ocasião em que Jesus toma o pão e o vinho para anunciar a Nova Aliança em seu sangue, instituindo a Eucaristia.

Esta é a ocasião em que Jesus faz um gesto inesperado, como nunca tinha feito antes, de lavar os pés dos discípulos, ensinando-lhes ao serviço uns dos outros com humildade.

A Primeira Leitura descreve a preparação para a ceia pascal dos judeus, imagem da ceia pascal de Jesus.

Os judeus, no dia de Páscoa, em suas casas imolavam o cordeiro perfeito, preparado meses antes. Não o faziam somente como uma refeição comum, mas como memorial da noite em que saíram da escravidão no Egito.

Para os judeus o sangue do cordeiro lembrava a noite em que Deus fez morrer todos os primogênitos do Egito. O sangue do cordeiro passado nos batentes das portas dos judeus era o sinal de que naquela casa o Anjo do Senhor não deveria matar ninguém.

Além disto, antiquíssimas lembranças vinham à mente do Povo de Deus a propósito do cordeiro imolado.

No passado Deus tinha pedido o sacrifício de Isaque a Abraão. Quando Isaque pergunta ao pai onde estaria o cordeiro para o holocausto, Abraão lhe responde: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho” (Gn 22,8b).

Abraão não sabia, mas profetizara a morte de Jesus, o cordeiro sem pecado que Deus entregara ao holocausto em lugar de todos os seus filhos adotivos pecadores, a humanidade inteira.

Salmo Responsorial: Sl 115(116 B),12-18.

Elevo o cálice de minha salvação,

invocando o nome santo do Senhor [Sl 115(116 B),13].

O Salmo menciona o “cálice da salvação” que era bebido no ritual da Páscoa. Não temos informações mais precisas. Se entendermos que este Salmo foi composto pelo rei Davi, vemo-lo agradecendo a Deus por tê-lo salvo de um risco de morte. Portanto Davi agradeceria a Deus num ritual em que com um cálice faria ação de graças a Deus por sua salvação.

Entendido deste modo, o Salmo se aplica a nós também porque na Eucaristia é elevado o cálice da nossa Salvação do Sangue de Jesus Cristo.

Jesus, na agonia do Monte das Oliveiras, pediu que o Pai afastasse Dele “aquele cálice” (Mt 26,39), isto é, o de sua morte em que seu sangue derramado salvaria a humanidade toda de todos os seus pecados. Como o Pai não afastou aquele cálice, Jesus derramou seu sangue em sua Morte redentora, num perfeito gesto de amor ao Pai e à humanidade cujos pecados assim apagava.

As palavras do Salmo de hoje, Elevo o cálice de minha Salvação, invocando o nome santo do Senhor, podem ser entendidas como ditas por Jesus. Na Última Ceia, Ele elevou o cálice da Salvação que Ele mesmo ia trazer à humanidade.

A comunidade cristã no tempo de São Paulo lembrou-se disto, pois em 1Cor 10,16 está escrito: “Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do Corpo de Cristo?”.

Hoje, portanto, celebrando a instituição da Eucaristia, meditemos sobre o cálice que Jesus aceitou de Deus Pai. Lembremo-nos de que neste cálice está Seu Sangue que nos purifica de todos os pecados. Neste cálice Jesus cumpre o que seu nome significa: “Salvador”, como o anjo anunciara a Maria (Lc 1,31).

Segunda Leitura: 1Cor 11,23-26.

Todas as vezes que comerdes deste pão

e beberdes deste cálice,

estareis proclamando a Morte do Senhor,

até que Ele venha (1Cor 11,26)

O valor da Morte salvadora de Jesus ecoou por todas as comunidades da Igreja primitiva como uma novidade de significado profundíssimo. Todos tinham que refletir muitas vezes sobre o sacrifício de Jesus ao longo de suas vidas.

São Paulo entende a Eucaristia, em que Jesus consagrou o pão e o vinho, como o momento em que nossa salvação se efetivou historicamente, em Jerusalém, naquela noite, vésperas da Páscoa judaica.

Porém o significado salvador da Morte de Cristo celebrada na Eucaristia, não se verifica apenas nos tempos da Igreja Primitiva, mas por todos os séculos futuros. E, mais do que isto, o poder salvador da Morte de Cristo continuará eficaz até o dia em que Ele voltará ao toque da trombeta do anjo (1Ts 4,16) no Juízo Final.

Esta menção ao fim dos tempos é para nós advertência: jamais a Igreja deixará de comemorar o ritual da Morte de Jesus ao longo dos séculos.

E, no fim da história dos homens, Jesus Cristo voltará.

Ele vai nos encontrar celebrando sua Morte salvadora, como Ele mesmo ordenou (Lc 22,19) e por meio dela salvará a todos os que O tiverem acolhido neste mundo.

Desta maneira a Morte de Jesus é promessa de alegria com a salvação, em que todos participaremos de Sua Ressurreição para com Ele vivermos na Vida Eterna.

Evangelho: Jo 13,1-15.

“Tu nunca me lavarás os pés”. (Jo 13,8b).

“Se eu não te lavar, não terás parte comigo” (Jo 13,8d).

O centro de atenção do Evangelho de hoje é o lava-pés.

Jesus o faz intencionalmente para dar uma preciosa lição aos discípulos.

Jesus não está pensando em si mesmo, nem em sua agonia próxima no Monte das Oliveiras, nem em sua prisão, julgamento pelo sinédrio, nem ainda com sua Morte salvadora. Ele está concentrado em dar aos discípulos uma importantíssima lição de amor fraterno, de serviço mútuo humilde, de união de todos com Ele.

Pedro não se conformou, de início, em ver Jesus em atitude de escravo, lavando os pés de todos. Por isso Lhe disse: “Tu nunca me lavarás os pés”. Em outras palavras, podemos imaginar mais do que Pedro queria dizer: “Tu és muito mais importante do que eu para me prestar este serviço de escravo”. A intenção de Pedro era boa. Mas ele não entendia ainda a intenção de Jesus.

Quando Jesus lhe diz que não teria parte com Ele, Pedro muda imediatamente de atitude: “… então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (Jo 13,9). Não era para tanto! Jesus deve ter sorrido por esta ingenuidade de Pedro, que assim revelava seu bom coração e decisão de permanecer discípulo de Jesus a todo custo. Mal sabia que sua espontaneidade o levaria ao medo e à covardia momentos depois, negando Jesus três vezes.

Jesus, portanto, lavou os pés de Pedro. E Pedro “teve parte” com Jesus, isto é, permaneceu fazendo parte daquele grande Plano Salvador de Jesus.

Jesus continuou lavando os pés dos outros discípulos, e entre eles, o de Judas Iscariotes, que estava com todos naquele momento (Jo 13,2), já dominado por Satanás para entregar Jesus. Já naquele momento Jesus nada mais significava para Judas. Havia muito tempo que ele estava tramando entregar Jesus. Quando Jesus lavava seus pés, em atitude de escravo, o que Judas terá pensado? Não sabemos, mas certamente tratou Jesus com desprezo. E Jesus, cujo coração era tão sensível, sofreu este desprezo em silêncio.

Toda esta cena tem vários pontos para nossa reflexão.

Vamos nos deter nas figuras de Jesus, de Pedro, de Judas, vendo, ouvindo, considerando o que fazem e dizem.

Com Jesus, no silêncio de nosso coração, peçamos que em Sua misericórdia nos purifique de todos os nossos pecados.

E com nosso pensamento voltado para o futuro de nossas vidas e de todo o mundo, lembremos hoje, nesta Missa, o que São Paulo disse aos coríntios e a nós:

Todas as vezes que comerdes deste pão

e beberdes deste cálice,

estareis proclamando a Morte do Senhor,

até que Ele venha (1Cor 11,26)



Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.     


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