Liturgia do dia 17/04/2019

Leituras
Is 50,4-9a
Sl 68(69),8-10.21bcd-22.31 e 33-34
(R/. 14cb)
Mt 26,14-25

Semana Santa

Quarta-Feira

Primeira Leitura: Is 50,4-9a

4O Senhor Javé deu-me uma língua de discípulo, para eu confortar com a palavra o que está cansado. Ele desperta cada manhã meus ouvidos, para eu ouvir como os discípulos. 5O Senhor Javé abriu-me o ouvido: não resisti nem recuei para trás. 6Entreguei minhas costas aos que me batiam, as faces aos que me arrancavam a barba. Não desviei minha face dos que me injuriavam e cuspiam. 7O Senhor Javé será meu protetor, por isso não serei confundido. Tornei minha face dura como pedra e sei que não ficarei envergonhado. 8Perto está quem me justifica. E quem discutirá comigo em justiça? Apresentemo-nos juntos! E quem é meu adversário? Aproxime-se de mim! 9O Senhor Javé me auxiliará, quem há que me condene? 

Salmo: Sl 68(69),8-10.21bcd-22.31 e 33-34  (R/. 14cb)

R.: Responda-me o teu amor, que o teu socorro não falhe!

8Por ti é que sofro injúrias e sinto arderem-me as faces. 9Pois meus irmãos, até eles, estranho me consideram. Os filhos de minha mãe me tomam por forasteiro. 10O zelo da tua casa devora-me como fogo. O insulto de quem te insulta recai, ó Deus, sobre mim.

21O insulto tirou-me o alento, partiu-se o meu coração. Em vão esperei consolo, não houve quem se apiedasse. Em vão procurei conforto, conforto não encontrei. 22Porém na minha comida veneno amargo puseram. E, quando sentia sede, vinagre me ofereceram.

31Ó Deus vou cantar teu nome, exaltá-lo agradecido. 33Humildes, vede e alegrai-vos; renovem-se as vossas almas, ó vós, que buscais a Deus! 34Atende o Senhor aos pobres, jamais despreza os cativos.

Evangelho: Mt 26,14-25

14Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, procurou os sacerdoteschefes. 15E lhes propôs: “Quanto me quereis pagar para eu o entregar a vós?”. Eles lhe garantiram dar trinta moedas de prata. 16E desde aquele momento, ele procurava uma boa ocasião para o entregar. 17No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos foram dizer a Jesus: “Onde queres que te preparemos o necessário para comer a Páscoa?”. 18Ele respondeu: “Ide à cidade, à casa de fulano de tal, e dizei-lhe: O mestre manda avisar: O meu tempo está próximo. Quero celebrar em tua casa a ceia pascal com os meus discípulos”. 19Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha ordenado, e prepararam a ceia pascal. 20Chegada a tarde, ele se pôs à mesa em companhia dos Doze. 21Enquanto comiam, disse: “Eu vos declaro esta verdade: um de vós me trairá”. 22Profundamente entristecidos, cada um começou a perguntar: “Senhor, por acaso serei eu?”. 23Ele respondeu: “Quem me há de trair é o que acabou de colocar a mão comigo no prato. 24O Filho do homem vai embora como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele pelo qual o Filho do homem está sendo traído! Melhor seria para ele não ter nascido!”. 25Por sua vez, Judas, que o traiu, perguntou-lhe: “Mestre, serei eu por acaso?”. Respondeu Jesus: “Tu mesmo acabas de dizer”.



Leituras: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2019 – Ano C – São Lucas, Brasília, Edições CNBB, 2018.

Citações bíblicas: Bíblia Mensagem de Deus, São Paulo, Edições Loyola, 2016.

 

Boa Nova para cada dia

“O que me dareis se vos entregar Jesus?”.

Combinaram, então, trinta moedas de prata. (Mt 26,15).

Todo o Evangelho de hoje é sobre a traição de Judas.

Não pensemos que o plano de traição de Judas aconteceu de um dia para o outro. Não nos acontece o mesmo quando premeditamos algo errado ou pecado que pretendemos cometer? Planos de pecado podem durar até muito tempo. No caso de Judas, talvez um dois anos depois de ter sido aceito por Jesus como seu discípulo.

O plano de Judas foi premeditado, pois o Evangelho observa: E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus (Mt 26,16).

Nesse tempo à espera daquela oportunidade, o que se passava no coração e na mente de Judas? Sem dúvida ele já tinha perdido toda confiança e respeito por Jesus. Para ele Jesus era um “João ninguém”. Notemos que na casa de Lázaro Judas calculara o preço do perfume de nardo em trezentas moedas de prata (Jo 12,5). Agora aceita entregar Jesus por um décimo desse preço: trinta moedas de prata (Mt 26,15b). A vida de Jesus valia, para Judas, dez por cento de um frasco de perfume.

Judas teria tido chance de se arrepender de sua trama?

Sem dúvida teve chance, que o próprio Jesus lhe dera:

Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu:

Tu o dizes” (Mt 26,25).

Jesus, a bondade em pessoa, advertiu Judas do pecado que ia cometer.

Isto não acontece conosco? Por meio de nossa consciência Jesus não nos adverte tantas vezes quando estamos diante de uma ocasião de pecar? Se nos lembrássemos de que toda ocasião de pecar é ocasião para fazer a vontade de Deus, jamais pecaríamos.

Judas percorreu o trajeto de quem se abandona à tentação:

– levando a bolsa comum de dinheiro dos seguidores de Jesus, foi tentado a cobiçar o dinheiro para si. Tratava-se de uma questão grave: o furto.

Sua consciência o advertiu, certamente. Ele estava sempre ao lado de Jesus, e sabia muito bem o que era certo e errado. Portanto teve tempo e razões para voltar atrás: nem roubar nem entregar Jesus por dinheiro.

aceitou a tentação voluntariamente e não forçado por ninguém.

por fim consumou seu pecado entregando Jesus.

Pensemos nas vezes em que percorremos o mesmo trajeto de Judas e pecamos em matéria grave, por livre decisão da vontade, indo até às últimas consequências.

São estas coisas que devemos dizer numa confissão bem feita nesta Quaresma.



Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.    


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