Versão em Português

  “E esta é a vontade daquele que me enviou:

 que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia.

Esta é a vontade de meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna.

 E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,39-40).

 

Queridos amigos e amigas, leitores e leitoras: estejam com todos a esperança e alegria de Jesus Ressuscitado!

 Introdução. Mergulhando já no mistério pascal da Ressurreição de Jesus, podemos vislumbrar aquela esperança fundamental para nossa fé. No final da Oração da Campanha da Fraternidade 2019, pedimos ao “Pai misericordioso e compassivo” que “sejamos verdadeiros cidadãos do ‘novo céu e da nova terra’”. Invocação, aliás, literalmente inspirada nas penúltimas linhas do Apocalipse de São João (cf. Ap 21,1-7) que nos transmite uma mensagem de esperança. E está ai a relação profunda entre a visão apocalíptica do apóstolo e a Ressurreição de Jesus, prenúncio de nossa própria ressurreição. Inúmeras vezes nos Evangelhos e nas Cartas, sobretudo nas de São Paulo, vamos nos deparar com o horizonte promissor da ressurreição dos seguidores do caminho de Jesus.

  1. Um novo céu”: no passado Segundo Domingo da Quaresma, celebrando a Transfiguração de Jesus no Tabor, lemos um trecho da Carta de São Paulo aos Filipenses no qual ele nos diz que “Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor, Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder de sujeitar a si todas as coisas” (Fl 3, 20-21). Ser “cidadão do céu” nada mais significa do que, mergulhados na esperança, já começar a viver as alegrias da pátria celeste, sentindo-nos, a cada instante, envolvidos pela ternura do abraço do Pai. Em que pesem nossas naturais limitações de seres finitos, aspiramos aos bens celestes e criamos no mais íntimo de nós mesmos, um misterioso clima de ressurreição. É a esperança da vida que não passa, da vida eterna, que nos leva à certeza da palavra de Jesus inúmeras vezes repetida nos Evangelhos. Para nos ajudar a alimentar e fortalecer nossa esperança de vida eterna, mesmo em meio ao deserto da terrena, assim se expressa o papa Francisco na sua Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”: “E, no deserto existe, sobretudo, a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida (nr: a vida ressurgida), mantendo assim viva a esperança. Em todo o caso, lá somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se em uma pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva” (EG 86). E termina o papa esse parágrafo com um apelo, quase que como um grito, saído do fundo do seu coração: “Não deixemos que nos roubem a esperança!”
  2. “Uma nova terra”. A esperança de uma VIDA futura deveria motivar-nos com mais força e vigor na sua preparação terrena. Pois quanto mais fiéis formos ao caminho de Jesus, tanto mais carinhoso e terno será o abraço do Pai ao retornarmos à Casa definitiva. Não nos esqueçamos de que a preparação da qual falamos, não é tão somente uma preparação espiritual e, sim, nossa contribuição para criar condições para a prática da justiça, da solidariedade, do perdão, da acolhida. A Campanha da Fraternidade deste ano deve ter-nos ajudado a criar uma consciência e uma mentalidade mais comprometidas para que seja possível, apesar de todos os obstáculos, preparamos uma “nova terra”, mais feliz, mais humana e, portanto, mais fraterna. Pois essa será aquela “nova terra” celestial no “novo céu” da contemplação sem fim, na glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo, na companhia da Virgem Maria e de todos os que nos antecederam.

 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Além de fazer uma revisão pessoal e em grupo de como vocês viveram a prática quaresmal do jejum, esmola e oração, e tendo os olhos fixados num “novo céu e nova terra”, buscar nos Evangelhos todas as palavras de Jesus sobre a Ressurreição e que possam levar-nos, como nos diz o Papa Francisco, a “não deixar que nos roubem a alegria e a esperança” (EG 83;86).

Com meu carinhoso abraço, deixo-lhes meu desejo de uma celebração consciente, alegre e mergulhada profundamente no mistério pascal da Ressurreição de Jesus!

Pe. José G. BERALDO

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe sacerdotal do Grupo Executivo Nacional

MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

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