Versão em Português

Prezados amigos e amigas, pacientes leitores e leitoras destas Cartas mensais:

Com a presente proponho o início de uma nova experiência: textos mais objetivos em torno de um único assunto. Para este ano, tanto para as suas Assembleias Regionais como para suas Escolas Vivenciais, o Movimento de Cursilhos do Brasil escolheu o tema da Exortação Apostólica “Gaudete et Exultate” (“Alegrai-vos e exultai”) com acento na misericórdia. Desnecessário lembrar que não só cursilhistas poderão aproveitar os temas propostos para sua reflexão; outros leitores e leitoras também poderão continuar a fazê-lo.

 “Alegrai-vos e exultai,

porque é grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,12ª).

A alegria no caminho da Santidade

 

A alegria dos seres humanos não se manifesta somente nos momentos especiais em que afloram sentimentos próprios de conquistas ou acontecimentos marcantes na vida: encontrar-se com quem você ama, com um amigo há longo tempo distante, receber uma boa notícia há tanto tempo ansiosamente esperada, etc. A verdadeira alegria vai além dos sentimentos que se expressam pelo sorriso ou por outras demonstrações externas. É por esse viés que nos referimos à alegria do seguidor do caminho de Jesus.

Já desde o Antigo Testamento, nos numerosos Salmos, no Cântico dos Cânticos e em outros inúmeros textos, a alegria aparece como uma manifestação de amor e de bondade – tanto a que provém de Deus em sua ação libertadora, como a do seu povo diante de determinados acontecimentos ou ocasiões de grande significado.

No Evangelho de Lucas, logo no início, vamos encontrar também muitas expressões de alegria: o anúncio do anjo a Zacarias (Lc 1,14); a notícia dada pelo anjo a Maria (Lc 1, 28); a aparição do anjo aos pastores (Lc 2, 10; Mt 5,12). Ao longo do Evangelho, ao manifestar-se ao povo que o seguia, curando seus males, sanando suas enfermidades ou até ressuscitando seus mortos, Jesus mesmo se identifica com a alegria. Podemos imaginar a alegria provocada pelo gesto de Jesus ao mudar a água em vinho nas bodas de Caná: alegria dos noivos ao serem socorridos naquele momento de apreensão; alegria dos convidados que imaginavam ter tomado já o melhor vinho quando, com efeito haviam bebido apenas um vinho comum… Porque o melhor vinha agora: o próprio Jesus! Tão real, fascinante e maravilhosa é essa identificação, que até no acervo das músicas clássicas mais executadas pode-se encontrar a Cantata 147 de J.S. Bach chamada de “Jesus, a alegria dos homens”!

 

Por isso, a alegria é tão lembrada e vivenciada pelo nosso papa Francisco, a ponto de aparecer no título de quase todas as suas Exortações Apostólicas, mesmo aquela em que ele nos orienta “sobre o chamado à santidade no mundo atual”, a Gaudete et Exultate, “Alegrai-vos e Exultai”. Sem contar que, em algumas ocasiões, o Papa faz referência a um antigo provérbio português: “Um santo triste é um triste santo”!

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Será que temos compreendido e vivido o significado da verdadeira alegria cristã? Causam-nos alegria apenas nossas realizações humanas – o que seria perfeitamente compreensível, mas insuficiente? Ou encontramos alegria na santidade que o Papa nos recomenda e que tão bem descreve na mesma Exortação Apostólica? E enquanto cursilhistas, responsáveis por manter e desenvolver esse Movimento eclesial, aliás, vivamente elogiado pelo próprio Francisco em mais de uma ocasião… Buscamos aprofundar nossa reflexão sobre a alegria que deve caminhar junto com nossas atitudes verdadeiramente misericordiosas? Ajudamos nossos grupos e nossas Escolas a entender e viver essa verdadeira alegria?

Nas próximas Cartas, assim permitindo-o Deus, daremos continuidade à nossa reflexão sobre a GE. Encerro transcrevendo o parágrafo 122, que é como que uma síntese de toda essa preciosa Exortação: “O que ficou dito até agora não implica um espírito retraído, tristonho, amargo, melancólico ou um perfil apagado, sem energia. O santo é capaz de viver com alegria e senso de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança. Ser cristão é “alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17), porque “do amor e da caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na união com o amado. (…) Daí que a consequência da caridade seja a alegria”. Recebemos a beleza da sua Palavra e abraçamo-la “em meio a muita tribulação e, no entanto, com a alegria do Espírito Santo” (1 Ts 1, 6). Se deixarmos que o Senhor nos arranque da nossa concha e mude a nossa vida, então poderemos realizar o que pedia São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!” (Flp 4, 4).

Abraço fraterno do sempre amigo e irmão

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe sacerdotal do Grupo Executivo Nacional

MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com

Siga-nos: