Liturgia do dia 13/01/2019

Leituras
Is 42,1-4.6-7
Sl 28(29),1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R/. 11b)
At 10,34-38
Lc 3,15-16. 21-22 (Jesus batizado por João)

Domingo do Batismo do Senhor

Domingo


Primeira Leitura: Is 42,1-4.6-7

1 Eis meu Servo que sustenho, meu eleito, preferido de minha alma. Pus sobre ele meu espírito. Ele levará o direito às nações. 2 Ele não gritará nem elevará o tom, nem fará ouvir sua voz nas ruas. 3 Ele não quebrará o caniço rachado nem apagará a chama vacilante. Ele proclamará com firmeza o direito, 4 sem cansar-se nem desfalecer, até implantar a justiça na terra, pois as ilhas esperam o seu ensino. 6 “Eu, Javé, chamei-te na justiça, tomei-te pela mão, formei-te e te destinei a ser a aliança do povo e a luz das nações, 7 para abrir os olhos dos cegos, para fazer sair os cativos da prisão, e da masmorra os que habitam nas trevas.

Salmo: Sl 28(29),1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R/. 11b)

R. Que o Senhor abençoe o seu povo em sua paz!

1a Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor louvor e glória! 2 Dai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o Senhor em vestes sacras!

3ac Escuta a voz de Deus por sobre as águas: está o Senhor por sobre as grandes águas. 4 Escuta: o Senhor vem com seu poder; escuta: o Senhor vem com seu fulgor

3b Eis que troveja o Deus de majestade. 9b No seu templo todos dizem:
“Glória!”. 10 Eis que o Senhor sentou-se sobre as águas, sentou-se para sempre, como rei.

Segunda Leitura: At 10,34-38

34 Então Pedro disse: “De fato, agora compreendo que Deus não faz distinção de pessoas; 35 mas todos os que o adoram e praticam o bem são aceitos por ele, seja qual for sua nação. 36 Ele enviou a sua mensagem aos filhos de Israel, anunciando a boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo: é ele o Senhor de todos. 37 Vós mesmos já sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, desde a Galileia, depois do batismo anunciado por João. 38 Sabeis como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder dos milagres a Jesus de Nazaré, que andou por todo lugar, fazendo o bem e curando todos os que o Diabo tinha escravizado; é que Deus estava com ele.

Evangelho: Lc 3,15-16. 21-22 (Jesus batizado por João)

15 Como o povo estava na expectativa e todos perguntavam a si próprios se João era ou não o Messias, 16 ele respondeu a todos: “Eu vos batizo com água, mas já está vindo alguém que é mais poderoso do que eu. Não sou digno de desamarrar-lhe as correias das sandálias. Ele é quem vos batizará com o Espírito Santo e o fogo. 21 Depois que todo o povo tinha sido batizado e enquanto Jesus, que também tinha sido batizado, estava rezando, o céu se abriu 22 e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corporal, como uma pomba. E eis que veio uma voz do céu: “Tu és meu filho bem-amado. Em ti encontro o meu contentamento”.

Leituras: Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2018 – Ano B – São Marcos, Brasília, Edições CNBB, 2017.

Citações bíblicas: Bíblia Mensagem de Deus, São Paulo, Edições Loyola, 2016.

Boa Nova para cada dia

“TU ÉS MEU FILHO AMADO, EM TI PONHO O MEU BEM-QUERER”
(Lc 3,22)

Com este domingo começa o Tempo Comum do Ciclo Litúrgico.
A partir de agora a Liturgia da Palavra vai nos orientar para meditar os mistérios da vida de Jesus ao longo do ano.

E hoje começamos a ser instruídos sobre a missão que Deus Pai dá a Jesus, que no Seu Batismo é declarado o Filho amado e em quem o Pai se compraz.

Nossa meditação, portanto, deve se concentrar no amor de Deus Pai pelo Deus Filho.
É um convite a entrarmos no íntimo da própria Santíssima Trindade.
E isto é realmente grande!
Preparemo-nos, portanto, para este percurso espiritual especial do Tempo Comum a partir de hoje.

Primeira Leitura: Is 42,1-4.6-7.

Eis o meu Servo – eu O apoio;
eis o meu eleito – Nele se compraz minha´alma;
pus meu Espírito sobre Ele,
Ele levará o direito às nações
(Isaías 42,1).

O Livro de Isaias é cheio de surpresas, passagens enigmáticas e problemas quase impossíveis de resolver apesar do esforço dos especialistas.
A Primeira Leitura de hoje é uma destas passagens que dão trabalho aos biblistas.
Se não fosse a explicação que encontramos no Evangelho sobre Is 42, este trecho continuaria enigmático, tal como é, ainda hoje, para os judeus. Para eles até hoje permanece desconhecido o personagem profetizado como “Servo”. Para os cristãos, no entanto, sua explicação se encontra no Evangelho, que o aplica a Jesus Cristo em seu Batismo:
Ele é o Filho amado de Deus,
Dele recebe o Espírito Santo
para julgar as nações com justiça.

Estas três frases são um mundo de mistérios! Nós mergulhamos neles aos poucos, ao longo do Tempo Comum. Mantenhamos viva esta esperança e seremos recompensados.

Is 42,1-4.6-7 é um texto que os especialistas bíblicos chamam de “Primeiro Cântico do Servo de Javé”. No total são quatro, mas hoje devemos nos deter somente neste.

O “Servo de Javé”, neste uso no Antigo Testamento, é uma pessoa escolhida por Deus para receber Dele várias missões.
E antes que estas missões Lhe sejam dadas, Deus apresenta a pessoa deste “Servo” de maneira altamente elogiosa, como lemos em Is 42,1. É o “Filho amado”, o “Filho que tem todo o apoio no poder do Pai”, o “Filho que recebeu o Espírito do Pai”. E já vem indicada uma primeira missão: Ele vai levar a justiça a todas as nações da terra agindo como juiz, sob a luz do Espírito.

Como Jesus vai realizar esta primeira missão, somente o resto de sua vida permitirá entender. E isto é o que veremos continuando as leituras do Evangelho de São Marcos.
Por enquanto, na festa de hoje, o que importa é considerar como Jesus recebe de Deus todo o poder para esta missão e para realizar as outras, ditas por Is 42,2-9.

Aqui em Is 42,1:
– Jesus inicia sua vida pública em seu Batismo,
no qual esta profecia de Isaías se cumpre.
– está dito que Jesus é o “Servo” de Deus para cumprir a vontade do Pai em relação à salvação das pessoas por meio do estabelecimento da justiça na terra: Jesus, com sua Morte e Ressurreição, conseguiu o perdão do pecado para toda a humanidade. Mas um dia pedirá contas a cada pessoa no julgamento final.

– realizado o julgamento final com a punição dos maus e prêmio dos bons, está estabelecida a justiça divina. A humanidade viverá em paz com Deus para sempre.
– tudo isto Jesus o faz apoiado no Poder de Deus, pois Deus mesmo é quem Lhe garante isto.
– com o Pai e o Filho está agindo o Espírito Santo. Portanto estamos diante da Santíssima Trindade em ação comum de salvação da humanidade.
– como o amor do Pai se volta ao Filho, desta ação trinitária este amor se expande a toda a humanidade. O ato salvador da Trindade é ato de amor.
– por fim, o amor de Deus pela humanidade, e a resposta amorosa dos que pelo Filho foram salvos, estabelecem a paz sobre o mundo: este é o efeito da justiça que Jesus, o Servo, estabeleceu com a salvação dada a todos. Assim a primeira missão do Servo-Jesus se realiza.

Pensemos nesta obra salvadora amorosa de toda a Trindade em nosso benefício.
E consideremos, agora, como isto nos é dado a conhecer e saborear vendo o Filho sendo batizado no Jordão e sendo declarado “Servo” para estabelecer a paz e o amor entre o céu e a terra.

Salmo Responsorial: Sl 28(29),1-10.

Eis a voz do Senhor com poder! [Sl 28(29),4a].

As maravilhas realizadas por Deus no mundo foram meditadas muitas vezes pelos salmistas.

No Salmo Responsorial de hoje aparece esta exclamação: Eis a voz do Senhor com poder! [Sl 28(29),4a]. Nas demais exclamações deste Salmo fica evidenciado o poder de Deus Criador sobre sua criação. A admiração dos homens é a forma com que louvam e reverenciam o Criador. De fato, o Salmo era pronunciado no Templo, numa liturgia de louvor.

A voz de Deus com poder se manifestou no Batismo de Jesus.
A voz de Deus tem eficácia imediata. O que Deus diz se realiza naquele instante.
Pela voz de Deus Jesus é declarado Filho de Deus, o que sempre foi desde toda a eternidade. Porém é no Seu Batismo que Deus faz esta declaração para São João Batista e para os seus discípulos. Por fim, esta declaração chega até nós. Em Jesus Cristo conhecemos o poder, o amor e a justiça de Deus agindo para nossa salvação.

Pensemos no que dizem todos os outros versículos deste Salmo.
Por meio deles entenderemos a grandeza de Deus, Seu poder sempre aplicado para o bem da humanidade. E a humanidade reconhecida O louva na liturgia. Cantemos o Salmo contemplando tudo o que diz.

Segunda Leitura: At 10,34-38.

Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder (At 10,38a).

No Livro dos Atos dos Apóstolos está um discurso de São Pedro.
Ele se refere claramente ao início da missão de Jesus no Batismo recebido no Jordão (At 10,37c): Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder (At 10,38a).

E em seguida São Pedro menciona “o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galileia” na vida de Jesus. Ora, se nos lembrarmos da Primeira Leitura, “o que aconteceu” na vida de Jesus foi o cumprimento das missões que Deus dera a Seu “Servo”, conforme Is 42,4-7:
v.4: não esmorecerá nem se deixará abater enquanto não estabelecer a justiça na terra; e os países distantes esperam seus ensinamentos;
v.6 Eu, o Senhor, te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do Povo, luz das nações
v.7: para abrires os olhos dos cegos,
para tirar os cativos da prisão,
livrar do cárcere os que vivem nas trevas.

Tudo isto Jesus cumpriu e disto os Evangelhos dão testemunho.
Portanto em Jesus se realizou a profecia de Is 42,1-9, confirmada neste discurso de São Pedro em At 10,34-38.

Jesus ungido com poder se manifesta no Batismo de cada um de nós.
Fomos batizados como Ele. E no Batismo Deus perdoou nossos pecados e nos fez Seus filhos adotivos, irmãos de Jesus Cristo, membros de Seu Corpo que é a Igreja.

Hoje, portanto, aprendemos muito sobre o Batismo de Jesus e sobre o nosso.
Tiremos proveito desta meditação para o resto de nossas vidas.

Consideremos o Evangelho desta festa, atentos ao que Deus Pai pronuncia sobre Seu Filho:
“Tu és meu Filho amado, em Ti ponho o meu bem-querer” (Lc 3,22).
Esta foi a resposta divina ao Povo Eleito representado pelos discípulos de João Batista.
Eram aqueles discípulos que se perguntavam, em grande expectativa, se não podiam considerar já, o próprio João Batista o autêntico Messias. Ele o negou, aguardando a ação de Deus quanto ao verdadeiro Messias. E foi assim que, sendo Jesus batizado, o Pai o declarou Seu Filho.

Como a declaração de Deus Pai sobre Jesus como Seu Filho era a prova de que Jesus era o Messias esperado?
Ora, o Messias era chamado, nos tempos antigos, como ‘filho de Deus’. Era assim que os Salmos se referiam ao Messias, que era o rei ungido para poder governar o Povo Eleito com sabedoria e justiça.

Jesus, ao ouvir a voz do Pai, confirmou-se em sua missão messiânica.
Embora o Evangelho de São Lucas não nos diz que o povo presente e João Batista ouviram a voz do Pai, a intenção deste Evangelho é esta. Jesus, em seu Batismo por João Batista, foi declarado Messias pelo próprio Deus.

Vejamos, pois, Jesus batizado, como aquele que o Pai ama, para por meio Dele, demonstrar seu amor por toda a humanidade, a nós, que por meio de Jesus nos tornamos filhos adotivos de Deus.

Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.


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